Letras das músicas do cd Movimento

1- MULHER ESPECIAL

 

Luís Caldas

                        (Sérgio Mattos e Kareka)

 

Uma mulher
pode ter mil disfarces.
Procuro, no fundo
de teu olhar, o mais profundo
e não encontro uma mulher qualquer.

Encontro a menina dengosa,
a mulher sensual,
consciente de sua própria liberdade.
–Uma mulher especial!

A imperfeição, sim, pode estar
na ótica do meu olhar,
que não busca a matéria,
mas a essência do teu sentir...

Quando sinto
o desejo no teu olhar
e o calor em tuas mãos chegar,
meu coração pulsa mais forte
Pulsa fora do lugar.

2 - FORRÓ DE BOTA

 

            Alcymar Monteiro

            (Sérgio Mattos e Zelito Miranda)

 

Quando se toca o baião
lá no meu sertão
todo mundo cai
no arrasta-pé.

 

É pé prá lá
Poeira prá cá
É pé prá cá
Poeira prá lá

Todo mundo fica de bota
Lá no terreirão
Todo mundo arrasta o pé
zabumbando o coração

Bota da cor de poeira

Bota de vaqueiro

Bota sem verniz
é bota de gente feliz.

Levanta sacode a poeira

No ritmo do sanfoneiro

Todo mundo fica de bota
Bota fogo forrozeiro

5 - POETA PECADOR

Paulinho Boca de Cantor

                         (Sérgio Mattos e Kareka)

Na fantasia
de um sonho
pensei que o pecado
já não existia.

Sonhei ser um pecador:
eu sou o pecado
eu fui o pecado
eu era um pecador.

 

Se o sonho é fantasia
se o pecado não há,
que diabo, finalmente, eu sou, Maria?

 

- Poeta, tu és livre
O Pecado já não mais existe.

(Respondeu Maria,
o meu sonho, a minha fantasia).

4 - 500 ANOS DE BRASIL

          

Adelmário Coêlho

            (Sérgio Mattos, Adelmário Coêlho e João Caetano)

 

Foi lá em Porto Seguro

Em vinte e dois de abril

Que Pedro Álvares Cabral

O Monte Paschoal descobriu

A terra de Santa Cruz

Festeja no ano dois mil

Bahia!

Quinhentos anos de Brasil

Bahia!

Quinhentos anos de Brasil

Bahia!

          Quinhentos anos de Brasil

Nossos jovens brasileiros

São o futuro do povo

Todos internetizados

Prá fazer um país novo

O progresso está nas mãos

Destes jovens varonis

Bahia!

Quinhentos anos de Brasil

Bahia!

Quinhentos anos de Brasil

Bahia!

Quinhentos anos de Brasil

No Brasil agente tem

Ouro, ferro, bronze e prata

Futebol, samba e forró

Loira, morena e mulata

A força desta união

Faz esta grande nação

Bahia!

Quinhentos anos de Brasil

Bahia!

Quinhentos anos de Brasil

8 - PEDRA DOS PÁSSAROS

                         Luí Muritiba

                        (Sérgio Mattos e Kareka)
 

Já não vejo gaivotas
nas pedras do Rio Vermelho.
Meus olhos já não descansam
com aquele vôo sereno
e com o mergulho indicador
de boa pescaria. Emigraram...

Os jornais anunciam
a morte de gaivotas
em Arembepe e na Bretanha.
Ora o titânio, ora o petróleo

Lançado nas águas do mar.

De que vale o progresso
se já não posso
contemplar as gaivotas
na Pedra dos Pássaros
de minha infância?

7 - CORPO NU

Virgílio

                               (Sérgio Mattos e Kareka)

Contra meu corpo nu
senti a maciez de tua tez,
a doçura dos teus beijos
e a rigidez dos teus seios.

Contra meu corpo nu
senti o calor de tua respiração
o crispar de tuas mãos
e na cadência do teu coração
lancei toda a minha força.

Rendi homenagens à tua beleza
e com toda a minha pureza.

Beijei as pétalas e aspirei
o perfume de tua flor.
Senti o mel e sorvi o néctar
de tuas entranhas
com toda a força do meu amor.

 

11 - ABRE A PORTA

             Missinho

            (Sérgio Mattos e Kareka)

 

Abre a porta
dona da casa

Hoje é noite de São João.
         A praça está embandeirada
         e a Matriz toda iluminada
Tem canjica, pé-de-moleque,
licor e aluá.
Tem pau-de-sebo
prá criançada
e milho verde não vai faltar.
         Abre a porta
         dona da casa
         Deixe o sanfoneiro tocar.
         Hoje é noite de São João
         e todo mundo vai se esbaldar.

 

10 - É Tempo de amar

Zelito Miranda

(Sérgio Mattos, Zelito Miranda

e Rafael Júnior)

 

Tô bebendo uma cerveja

Tô  tomando uma cachaça

Tô pagando pra beber

Tô aqui no celular

Esperando ela ligar

Que é pra gente se perder

Hoje é dia de Quinta-feira

É noite de lua cheia

E vamos dançar forró

Ela é muito gostosa

Forrozeira vaidosa

E dança cada vez mió

Eta que a casa está cheia

Eta que é noite de luar

Eta parceira que incendeia

Meia volta, volta e meia

Que é tempo de ser amar

14 - MULHER FAGUEIRA

Edil Pacheco

            (Sérgio Mattos, Bira Paim e Quininho de Valente)

Toca, toca sanfoneiro
toca ao lado da fogueira
Toca, toca sanfoneiro

Que hoje  eu quero essa mulher fagueira

Toca xaxado, toca baião
Toca marchinha e xote
Quero cafungar no cangote dessa mulher
Que cheira a flor de laranjeira

 

Vem minha morena brejeira
Alegrar o meu coração
Vamos dançar
Morena me queira

No clarão da fogueira

É muita grande a animação

Maior ainda é a sensação
De ganhar você, meu bem,
nesse São João.

 

13 - SORRISO DE PAULA

             Edu Casanova

            (Sérgio Mattos e Edu Casanova)

Um sorriso
tranqüilo
sem artificio
nem vicio.
De encanto,
de criança.
É o sorriso
que  tenho na lembrança
nos momentos distantes,
na hora do abraço,
do encontro e do cansaço.

 

17 - ESQUENTANDO O TERREIRÃO

             Quininho de Valente

            (Sérgio Mattos e Edil Pacheco)

Morena o seu carinho
Ganhou meu coração

Vem amor me namorar
É bom se esbaldar
Neste quente forrozão

Vem amor me namorar
Vem a vida festejar
Nesta noite de São João.

Aonde você for
Eu também vou, amor

Contigo eu não vejo mais ninguém

Foguete clareando lá no céu
Fogueira esquentando o terreirão
Mais forte é o calor do teu olhar
É gostoso te abraçar
Minha flor, minha paixão

Tá bom menina.
Assim é que se faz
Vem cá morena
Que teu cheiro é bom demais

 

Tá bom menina
Assim é que se faz

Vem cá morena

Que o forró tá bom demais.

16 - AI QUE SAUDADE

Bule-Bule

            (Sérgio Mattos, Kareka e Manuel Bonfim)

 

 

 

Ai que saudade
do tempo do candeeiro,
do namoro da praça matriz,
das brincadeiras de criança
e das morenas da vizinhança.

Poetas e seresteiros
já não cantam a madrugada,
sendo a lua testemunha
e o violão um companheiro.

 

Ai que saudade

Do tempo do candeeiro} bis


Ai que saudade

Do amor sem dinheiro,
do cheiro forte de terra molhada,
da paquera da rua Chile,
do “café society” e da cerveja bem gelada.

 

20 - PAIXÃO CUBANA

                    Kareka

                   (Sérgio Mattos e Kareka)

 

Estou apaixonado

Por Cuba

Conheci uma cubana

De Havana.

 

Depois dos “mojitos”

Da Bodeguita.

De beber daiquiri

Da Floridita,

vi uma bela cubana

numa noite de salsa

da Tropicana.

Que morena mais linda!

Cor de melaço

Reluzente.

Eu a vi dançando

Com rebolado

Convincente.

 

Estou apaixonado

Por Cuba

Conheci uma cubana

De Havana.

 

Fugiu do meu olhar

Em plena Malecón,

a avenida Beira-Mar.

 

Procurei de noite

Procurei de dia

De Varadero a Santiago

Subi a Sierra Maestra

 E o Pico Turquino

Mas não encontrei

A bela cubana

Ela partiu meu coração,

Liberando uma forte paixão.

 

Estou apaixonado

Por Cuba

Conheci uma cubana

De Havana.

19 - SÃO JOÃO BAIANO

            Chiquinho do Café Pilado

            (Sérgio Mattos e Kareka)

 

Festa de São João

Não é carnaval.
Não tem samba,
frevo ou axé.
Todo mundo segue
no compasso da zabumba,
do triângulo e da sanfona
do Mané.

 

Amor de carnaval
é coisa do passado.
Namoro de São João
é mais esquentado.

É regado a licor,
fortificado com amendoim
e milho assado.

No São João não tem bloco
Não tem mortalha ou fantasia.

Tem quadrilha prá brincar

Tem caipira de trança
e chapéu de palha na mão.
Tem quadrilha prá brincar
com caipira de trança,
dançando forró no salão.

No São João da Bahia
tem fogueira, tem forró,
tem busca-pé,
tem chamego, dengo e xodó
e muito arrasta-pé.

3-QUANDO A POEIRA ASSENTAR

                        Dado Brasaville

                        (Sérgio Mattos e Edu Casanova)

 

Quando a poeira assentar
tudo será diferente:
o sol voltará a brilhar
e o amor reprimido transbordará.
– Ninguém será dono de ninguém.
A solidariedade governará
impunemente
e nada haverá para separar.
–Vamos aglutinar e perdoar.

Quero criar poemas
como quem respira
e com a naturalidade de quem ama.
Quero defender a solidariedade humana.
Quando a poeira assentar
tudo será diferente:
O sol voltará a brilhar
e o amor reprimido transbordará.

6 - FISSURA

             Jeanne Lee

(Sérgio Mattos e Bira Paim)

 

Numa noite enluarada

Eu vi você passar

A minha boca secou

Meu coração acelerou

E eu cai perdido de paixão

 

Não entendia nada

Mas vi no seu olhar

Que se tratava enfim

De um anjo querubim

Aí  te convidei para dançar

 

Eu nem quis saber

Que podia ouvir não, não, não.

Quando dei por mim

Tava  em suas mãos

Foi tão bom

Nosso belo sonho de amor

Foi tão breve

Que a saudade chegou

 

Eu ando aperreado

Com vontade de te vê

Eu ando aperreado

Com vontade de você

9 - AMOR PERDIDO

             Novinho da Paraíba

            (Sérgio Mattos e Bira Paim)

Numa noite estrelada
de São João,

Com o calor
da fogueira no coração,
eu fiz um pedido
para encontrar o amor perdido,
                   que ano passado
                   deixei escapar

                   No meio daquele forró bonito.

Mas este ano São João
vai me ajudar
a encontrar o meu amor.
Quando isso acontecer
vou ter muito que rezar.
Vou fazer romaria
que o povo vai se admirar.

De Bonfim a Juazeiro,
de Piritiba a Coité,
de Amargosa a Petrolina
vou seguindo a concertina
no rastro dessa mulher.

 

12 - SENTIDOS DA DISTÂNCIA

                         Bira Paim

                        (Sérgio Mattos e Bira Paim)

 

A distância aumenta
minha ânsia,
meu desejo de sentir
teu cheiro doce,
de ouvir teu riso contido.

A distância aumenta a lembrança
do conforto de teu abraço,
do calor pulsante de teu corpo.

A distância aumenta a vontade
de ver o brilho de teu olhar,
de sentir o gosto de teus lábios
e a expectativa de te amar.

15 - MOÇA DANÇADEIRA

             Visek

            (Sérgio Mattos e Visek)

 

 

Chegou, chegou, olha só

Chegou, chegou, olha só

 

Chegou a moça dançadeira

Pra puxar a brincadeira e dançar forró}  bis

 

Moça bonita dos olhos de mel
Já estou no céu, no céu da tua boca
Quero agarrar tua cintura e abrir caminho
Vou de trenzinho, ai que coisa louca.

 

O sanfoneiro toma mais um gole

E puxa o fole com mais animação

 

É São João e essa moça dançadeira

Deixa meu coração aceso como uma fogueira }bis

18 - SANHAÇO

Rony/Raney

            (Sérgio Mattos e Edu Casanova)

Piu, piu, piu.

Um filhote de sanhaço
tentou solitário um vôo
em direção ao sol.

Caiu num tacho de mel.
Mel, melado, melaço.
Coitado do sanhaço,

morreu
de tanto mel que bebeu.