A Televisão e as Políticas
Regionais de Comunicação

A produção independente na televisão do interior: o caso de Bauru


Ana Sílvia Lopes Davi Médola

Professora do Departamento de Comunicação Social da UNESP-Bauru..


A produção de programas para televisão praticada fora dos estúdios das emissoras teve início no Brasil em fins dos anos 70 e começo da década de 80. As primeiras experiências com produção independente ocorreram no País no final da década de 70 e partiram da iniciativa de jovens videomakers preocupados em explorar todas as possibilidades da linguagem do vídeo e buscar alternativas aos padrões da televisão comercial. Desta forma, pretendiam romper com as estruturas de produção e veiculação estabelecidas e, ao mesmo tempo, buscar ocupar espaço nas emissoras. O fato é que, apesar da dificuldade de inserir as produções independentes na mídia televisiva, a estética adotada pelos jovens videomakers provocou mudanças na linguagem da TV que puderam ser constatadas pelo grande público. Para Arlindo Machado:

(…) a penetração dos independentes foi lenta, mas inexorável. Inicialmente, seus produtos não tinham espaço na televisão, mas acabaram aparecendo indiretamente, através da influência que eles exerciam sobre a própria programação comercial da televisão. Programas ou séries tais como "Armação ilimitada" ou "TV Pirata", grandes sucessos da Rede Globo, jamais teriam sido possíveis, não fosse a introdução pelos independentes de um estilo jovem de produção, com alta dose de humor crítico e criatividade.1

Diante da perspectiva de um grande mercado nascente, em função do barateamento dos equipamentos e da popularização do videocassete doméstico no cotidiano de vários segmentos da sociedade brasileira, houve a expansão de novos núcleos de produção também em cidades de médio porte. A implantação de produtoras independentes acenou, em um primeiro momento e no campo das projeções, com a possibilidade de quebrar o monopólio das emissoras sobre a produção de televisão e, conseqüentemente, viabilizar a produção independente e promover a regionalização nessa área, a exemplo de outros países, principalmente os Estados Unidos, onde a atuação dos meios de comunicação de massa eletrônicos é regida por uma legislação que privilegia a diversificação da produção.

Uma década e meia depois do surgimento dos primeiros vídeos independentes no Brasil, observamos que a produção para TV, à exceção das peças publicitárias, ocorre, ainda em escala reduzida, principalmente no eixo Rio–São Paulo, onde estão localizadas as cabeças de rede. A Associação Brasileira das Empresas Produtoras de Obras Audiovisuais Publicitárias (APRO) registra poucos associados fora deste circuito. Das produtoras existentes no País, não passam de vinte as que realizaram, no ano passado, programas periódicos para a televisão veiculados em rede nacional. Ao todo, elas foram responsáveis pela produção de aproximadamente trinta programas.

Consideramos necessário, neste momento, fazer uma distinção entre produção independente de vídeo e produção de televisão terceirizada. O termo independente remete apenas a uma contingência técnico-operacional de produção, sem implicar necessariamente na total liberdade no que tange à abordagem dos conteúdos. A produção independente é aquela que é totalmente executada por uma produtora de vídeo, sem qualquer participação da emissora de televisão que simplesmente insere um determinado produto em sua grade de programação.

Já a produção de televisão terceirizada é aquela onde a emissora participa da produção de forma direta ou indireta, em maior ou menor grau, ora pagando a produtora principalmente pelo suporte estrutural necessário para a realização de programas em vídeo, ora realizando um trabalho conjunto. Costuma-se denominar esse segundo tipo de relação como sendo uma parceria ou então co-produção, isto porque não existe uma legislação que regulamente a questão da produção independente de vídeo, e nem mesmo o mercado conseguiu ainda estabelecer regras muito fixas de negociação, variando muito o tipo de contribuição dada por cada uma das partes na realização de projetos.

Em tese, a função prioritária da emissora de televisão é a veiculação. Nos Estados Unidos, por exemplo, a prática obedece a essa lógica. Ao contrário do que se verifica aqui, lá as emissoras, de um modo geral, concentram sua capacidade produtiva no jornalismo, que é o setor que atribui identidade e credibilidade ao veículo, deixando para os produtores independentes a realização de outros tipos de programas como séries, filmes e desenhos animados.

Com o surgimento das produtoras no Brasil, era de supor-se que o caminho natural seria deslocar, gradativamente, a geração de programas para as produtoras. Entregar, porém, às produtoras independentes a responsabilidade pela realização de programas de forma sistemática e ampliar o espaço para a exibição dos mesmos é, ainda hoje, no Brasil, algo muito distante das condições concretas da realidade. Existe um círculo vicioso com base histórica e mercadológica, que impede transferir da televisão para as produtoras a responsabilidade pela execução de grande parte dos projetos, e configura-se da seguinte forma: se de um lado existem poucas produtoras com estrutura capaz de gerar programas, por outro, verifica-se a falta de incentivo em investir numa estrutura de produção mais arrojada, uma vez que são muitos os obstáculos a serem transpostos até chegar-se à veiculação. Entre eles, apontamos como principal a dificuldade para conseguir espaços nas grades de programação das emissoras. E é por essa razão que a maior parte das produtoras passaram a explorar mercados que estão fora do circuito de distribuição broadcasting, ou seja, os diversos tipos de vídeo voltados a públicos específicos, além da TV a cabo.

No interior, de um modo geral, somente as peças publicitárias realizadas pelas produtoras independentes encontram espaço para serem veiculadas nas tevês abertas. Raras e efêmeras são as participações das produtoras independentes com programas nas emissoras. A distribuição em network forjou no Brasil programações com características centralizadoras que só serão alteradas com uma legislação de radiodifusão que promova uma democratização maior na utilização dos meios de comunicação eletrônicos. Uma das causas dessa concentração reside na regulamentação da utilização das ondas eletromagnéticas a partir de 1962, onde as concessões de rádio e televisão passaram a ser de competência exclusiva do presidente da República e do ministro das Comunicações. Como resultado do monopólio das concessões, todo o espectro eletromagnético do País foi ocupado, nas últimas décadas, por apenas algumas dezenas de pessoas ou grupos privados, contemplados, na maioria das vezes, em função da troca de favores políticos e econômicos.

Assim, a televisão brasileira, representada por quatro ou cinco grandes redes, conseguiu, como diz Arlindo Machado, "além de lograr impor-se como uma forma hegemônica de entretenimento e cultura, também realizar o sonho de integração nacional alimentado pelas elites políticas".2 Os dois satélites de comunicações, cujos sinais são retransmitidos por uma gigantesca rede de estações repetidoras, cobrem todo o território nacional com praticamente a mesma programação gerada pelas cabeças de rede instaladas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Essa concentração faz com que as redes passem a exercer um controle rígido sobre os programas que veiculam, restringindo a porcentagens mínimas o espaço destinado a produções locais feitas pelas próprias afiliadas, de modo a preservar interesses comerciais. A TV Bauru, da Rede Globo, por exemplo, tem por semana apenas duas horas e quarenta e cinco minutos de produção jornalística local inserida numa programação de aproximadamente cento e cinqüenta horas semanais. A TV São Paulo Centro, afiliada da Rede Bandeirantes, produz diariamente meia hora de jornalismo local. E a TV Prevê opera com uma programação local restrita, reduzida a algumas transmissões de eventos e entrevistas em estúdio.

As duas principais produtoras independentes de vídeo de Bauru, a TBR Produções para TV (fundada em 1989) e a Lead Comunicação (fundada em 1990) atuam numa região com seis emissoras de televisão e uma operadora de TV a cabo com um canal comunitário, no entanto, conseguiram realizar e veicular neste tempo apenas dois programas. O "Câmera aberta", programa semanal de uma hora, produzido pela Lead Comunicação, foi o pioneiro em termos de produção independente inserida na programação de uma emissora de TV local. Levado ao ar durante um ano, entre 1992 e 1993, pela TV Bandeirantes em Presidente Prudente para todo o Centro-Oeste de São Paulo, e retornando em 1995 pela TV São Paulo Centro, o programa tem como proposta destacar acontecimentos e personalidades da região num formato que explora a linguagem jornalística.

A TBR Produções para TV, por sua vez, colocou no ar durante oito meses em 1993 o "Zapteen", na TV FR, na época afiliada da Rede Manchete em Bauru, visando especificamente a um público jovem. Consideramos importante chamar a atenção para o curto período em que os programas se mantiveram no ar, revelando a dificuldade de manutenção de espaço. Com a venda da TV FR, em 1993, para o grupo da São Paulo Centro, foi interrompida a veiculação dos dois programas que apontavam para a perspectiva de fortalecimento das realizações entre televisões e produtoras em nível regional. Apenas o "Câmera aberta" voltou ao ar em 1995, agora pela TV São Paulo Centro.

Uma das principais dificuldades para a distribuição das produções geradas no circuito independente reside no fato de que no Brasil as produtoras precisam percorrer um caminho inverso ao que seria de se esperar para ter programas veiculados pelas emissoras. Enquanto em outros países muitos programas são comprados de produtores independentes, aqui as negociações tomam outros rumos. Se uma produtora quiser ter um programa veiculado em um canal de televisão, ela tem que comprar espaço nas emissoras. Conforme já foi dito, redes como Manchete, Record, Bandeirantes e Gazeta possibilitam a abertura de horários na programação tanto para os projetos nacionais como para os regionais. O mesmo não acontece com as duas maiores redes de televisão do País, a TV Globo e o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Uma das justificativas para isto pode ser identificada nas palavras que se seguem, de um dos dirigentes das Organizações Globo. Quando perguntado se a produção independente é um bom caminho para a TV brasileira e se pretende utilizar este mecanismo, o vice-presidente executivo da Rede Globo, Roberto Irineu Marinho, deu a seguinte resposta em entrevista concedida ao periódico Meio e Mensagem, de 27 de março de 1995 (p. 13):

O nosso principal ativo não é ter um ou dez programas bons. É contarmos com uma estrutura de programação criativa e inteligentemente integrada. Para isto, a maior parte das nossas produções precisa ser planejada e concebida internamente, seguindo um fio condutor invisível, mas fundamental, que amarra diversos produtos numa estrutura global de programação. Poderemos comprar material produzido por terceiros e já o temos feito. É necessário, no entanto, que as produções independentes sejam um complemento de nossa programação e se encontrem dentro do padrão de qualidade da Rede Globo.

Note-se neste depoimento a preocupação em traçar uma programação que mantenha a audiência, independente do número de programas bons que esta grade tenha. E a principal estratégia da rede é exercer um rígido controle sobre o conteúdo da produção. Prova disso foi a inauguração, em abril do ano passado, do PROJAC (Projeto Jacarepaguá), onde, numa área de um milhão e trezentos mil metros quadrados, existem oitenta mil metros quadrados construídos para abrigar, numa etapa inicial, oito cidades cenográficas, quatro estúdios de mil metros cada um e fábricas de cenários e figurinos. Tudo equipado com a mais avançada tecnologia. Todo esse investimento tem como objetivo além da necessidade de suprir a programação da Rede, a realização de programas voltados à exportação não só para o mercado externo, mas também para as TVs que operam em sistemas de distribuição por assinatura. Neste contexto, torna-se muito remota a possibilidade da maior rede do País vir a adotar uma prática de grande consumo de produções independentes. Atualmente, a Rede Globo mantém no ar por semana, com transmissão para todo o País, apenas uma hora e meia de programas executados por produtoras. Todos vão ao ar no domingo de manhã: às sete e meia entra o "Globo Ciência", produzido pela Manduri; às oito horas o "Globo Ecologia", da Savaget Produções, e "Pequenas empresas, grandes negócios", às oito e meia, produzido pela GTEC. Na área de dramaturgia, o fato de já ter veiculado uma série como "O sorriso do lagarto", co-produção com a TV Plus, do Rio de Janeiro, exibida de 4 de junho a 30 de agosto de 1991, da forma como foi colocado por Roberto Irineu Marinho, evidencia que se trata de algo circunstancial, sem que haja de fato disposição da emissora em adotar uma política voltada à veiculação de produções independentes.

De um modo geral, o acesso às emissoras não é fácil. Os representantes das emissoras alegam que espaço para a produção independente existe, mas que os projetos nem sempre têm a qualidade necessária para compor a grade de programação. Muitas vezes isso não deixa de ser uma justificativa verdadeira, mas, além disso, existe o fato que as emissoras procuram sempre exercer um controle efetivo sobre o conteúdo. Amparadas pelo discurso da necessidade de manter o padrão técnico, as TVs, na prática, só abrem espaço para programas independentes com fórmulas já consagradas que não comprometam os índices de audiência.

Vamos agora nos concentrar especificamente nas afiliadas. Dentre os fatores que impedem a inserção de programas locais nas televisões observa-se também o receio por parte dos dirigentes dessas emissoras de arriscar perder a audiência e a conseqüente lucratividade, proporcionadas pela cômoda posição de estarem atreladas a uma rede. Dessa forma, os termos de negociação que são estabelecidos para veicular uma produção independente no interior tornam economicamente inviável qualquer projeto nesse sentido.

A lógica desta negociação percorre, normalmente, um caminho proibitivo para uma produtora disposta a comprar horário. Para exemplificar como é feita a negociação, iremos trabalhar com números fictícios, porque o que nos interessa não são os números e sim a operação matemática. Para uma faixa de horário que pode ser vendida, o cálculo da televisão é o seguinte: quanto custa o minuto de comercial? Digamos que sejam duzentos reais. A produtora quer trinta minutos. Isto significa seis mil reais. Como a TV não vai vender trinta minutos, porque num tempo deste ela insere no máximo sete minutos de comerciais, o que equivale a mil e quatrocentos reais, a produtora faz uma contraproposta e fecha-se um acordo por dois mil reais. Vemos, pois, que só para a emissora a produtora paga dois mil reais. A isso soma-se o custo de produção, girando em torno de dez mil reais, se pensar-se em algo bem modesto. Dividindo doze mil reais em seis cotas, a produtora vai ter que vender pelo menos seis cotas por dois mil reais cada para cobrir os custos. Difícil é convencer o anunciante a pagar dois mil reais para entrar quatro vezes no ar entre abertura, intervalos e encerramento do programa, quando por esse mesmo valor ele anunciaria vinte vezes em inserções de trinta segundos na mesma faixa de horário da programação. Dificuldades dessa natureza inviabilizam a criação de um sistema de distribuição capaz de veicular programas independentes e faz com que as produtoras não invistam em estruturas de produção. Decorre daí, em grande parte, a falta dos bons projetos reclamados pelas emissoras.

Atualmente, a produção independente está limitada a comerciais, vídeos empresariais, institucionais e prestação de serviços na área de audiovisual. No interior de São Paulo, que é o segundo maior mercado publicitário do País, é possível observar, sem entrar nas especificidades, basicamente esta mesma trajetória trilhada pelas produtoras instaladas em cidades como Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Bauru. Estas localidades apresentam condições básicas favoráveis à produção de vídeo, uma vez que economicamente são pólos de desenvolvimento agro-industrial e de prestação de serviços, com um volume expressivo de circulação de dinheiro e necessidade de mão-de-obra qualificada. Por outro lado, é necessário destacar a importância de uma condição determinante para a instalação de produtoras independentes: todas as cidades mencionadas já contavam com emissora de TV. Este é um fator determinante para a criação de mercado de trabalho capaz de forjar e absorver profissionais de televisão.

No caso de Bauru, um outro fator importante é a existência do curso de Comunicação Social, que começou a funcionar em 1974, e desde 1989 é mantido pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Com a encampação da Universidade de Bauru pela UNESP, começou a funcionar também a habilitação em Radialismo (Rádio e Televisão) que passou a colocar no mercado de trabalho profissionais para atuarem especificamente nos meios de comunicação eletrônicos. Do curso saem agora não só relações públicas e jornalistas, mas também radialistas com conhecimento em diferentes setores da produção de TV, como direção de programas, roteiro, cenografia, efeitos visuais e sonoros, produção de arte.

É oportuno destacar que a universidade estadual, pública e gratuita, atraiu para o curso de Comunicação Social de Bauru um novo perfil de aluno. Se antes da encampação o estudante vinha da cidade ou da região, agora cerca de oitenta por cento dos universitários matriculados na habilitação em Radialismo, por exemplo, provêm de outras cidades do Estado, principalmente, da capital. Isto ocorre por diversas razões. A nosso ver, a primeira diz respeito ao fato de estar concentrada em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro a maior parte da produção de rádio e televisão, bem como todo o tipo de mídia. Em segundo lugar, este mercado maior e mais competitivo exige há mais tempo uma formação prévia e um nível de qualificação mais elevado. As perspectivas de atuar-se nesse mercado são mais concretas e estão há mais tempo presentes como opção profissional. Assim, os alunos vindos destes centros procuram a formação acadêmica nas poucas faculdades de radialismo disponíveis.

A formação acadêmica entre os profissionais de rádio e televisão, principalmente no interior, é muito recente. Historicamente o ingresso profissional nas emissoras de rádio
e televisão tinha outras motivações, isto é, não era exigida uma formação prévia. A voz bonita, empostada, era uma razão forte para fazer locução em rádio. As formas de narração, a empostação, a sibilação eram técnicas que se aprendia com o tempo. Ser parente do dono da emissora também era um motivo para ser contratado. Aquele que ingressou na emissora pela porta das atividades administrativas passava, em função da necessidade, a atuar na produção. São muitas as histórias de quem hoje trabalha no rádio e na televisão e tem o seu espaço conquistado em função de uma prática profissional adquirida pelas vias da observação, do ensaio e erro e, principalmente, por uma máxima que existe no meio que parodia Lavoisier: "nessa área, nada se cria, tudo se copia".

O resultado imediato deste perfil de profissional que atua no mercado está traduzido nas fórmulas padronizadas de programas, no baixo nível de criatividade e na conseqüente reprodução de formas e conteúdos, onde o senso crítico praticamente inexiste. Com o baixo nível de exigência na qualificação profissional, a contrapartida é o baixo nível salarial que gera um círculo vicioso que remete à estagnação da produção. Esta situação só é alterada a partir da entrada de pessoas com formação acadêmica que pressionam o mercado no sentido de elevar o nível salarial. Por outro lado, os constantes avanços tecnológicos exigem mão-de-obra melhor preparada, concorrendo assim para a melhoria das condições de trabalho.

Quase quatro anos após ter sido formada a primeira turma de Radialismo pela UNESP, já é possível verificar em Bauru mudanças no comportamento de algumas empresas, principalmente as ligadas à produção de vídeo, com relação ao tipo de profissional que contratam. A absorção de recém-formados é significativa, uma vez que é acentuada a necessidade de melhor qualificação dos quadros por exigência do mercado. Mas a falta de perspectiva em função do número limitado de vagas nas emissoras de rádio e televisão da cidade e os baixos salários ainda praticados apontam poucas alternativas para quem pretende atuar na área de televisão. É nesse caso, sobretudo, que as produtoras independentes passam a ser uma outra opção no mercado de trabalho.

As produtoras, motivadas pelas boas perspectivas de mercado, equipamentos cada vez mais acessíveis e disponibilidade de mão-de-obra, criam novos espaços para a atuação de jornalistas, radialistas, publicitários, incentivando a transferência de parte dos profissionais das empresas tradicionalmente estabelecidas, como as emissoras de TV, para um novo campo a ser explorado, qual seja, o do vídeo independente. Trata-se de um setor que gera mercado de trabalho com empregos fixos e terceirização de serviços. Hoje, cerca de cinqüenta por cento dos profissionais que atuam nas produtoras independentes de Bauru têm formação acadêmica na área de Comunicação Social. Um sinal de que está havendo a ocupação do espaço profissional por pessoas que deverão estar preparadas para gerar produtos dotados de maior senso crítico na área de vídeo independente. Muito embora não possamos perder de vista o caráter comercial do trabalho das produtoras, uma vez que são empresas voltadas à obtenção de lucro, existem categorias de vídeos que preenchem, em nível de conteúdo, espaços importantes na transmissão de mensagens direcionadas aos mais diversos segmentos. Os vídeos didáticos, instrucionais e até os institucionais cumprem em certa medida a função social de democratizar o acesso a determinadas informações e, nesse sentido, a ação do profissional de comunicação é determinante.


NOTAS

1 Máquina e imaginário, São Paulo, Edusp, 1993, p. 256.

2 Op. cit., p. 254.


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SERRA, Floriano. A arte e a técnica do vídeo. São Paulo: Summus, 1986


Sumário

Apresentação Introdução Brasil e Uruguai: duas visões de regulamentação da TV Indústrias culturais no Mercosul: televisão aberta Análise comparativa entre duas emissoras de televisão regionais situadas na Baixada Santista A produção independente na televisão do interior: o caso de Bauru O videoclipe como forma de experiência estética na comunicação contemporânea A utopia quiliástica da Igreja Universal na TV A imagem televisiva e a cultura esportiva: um olhar sobre esta parceria