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A Televisão
na era da
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Globalização
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FRONTEIRAS CULTURAIS
NA TV
Com o surgimento das TVs por assinatura
e a cabo, os programas foram segmentados, gerando uma forma
de veiculação que massifica um tipo específico
de produto filmes, esportes, desenhos, entretenimento.
São programações que em geral passam
no mundo todo, exibindo notícias, filmes e formatos
que obedecem um padrão internacional. Ou seja, todo
o globo está conectado dentro de um formato que varia
muito pouco de país para país.
Este é o fio condutor dos trabalhos
acadêmicos contidos no livro A Televisão na era
da globalização, da coleção GT´s
Intercom, publicado pelas editoras GRD e Intercom. A organização
é do professor e jornalista Sérgio Mattos, doutor
em comunicação pela Universidade do Texas, em
Austin (EAU). Os oito trabalhos que compõem o livro
foram apresentados durante o XX Congresso Brasileiro de Ciências
da Comunicação, promovido pela Intercom, em
setembro de 1997, na cidade de Santos(SP).
Na introdução, Sérgio
Mattos ressalta o aspecto revolucionário do fenômeno
da globalização, que derruba fronteiras econômicas,
religiosas e ideológicas. Mas a barreira cultural talvez
seja a mais resistente, pois a língua e os diversos
dialetos persistem, apesar da força do inglês
em todos os países do mundo, assim como perdura, também
a sensação de pertencimento, de
comunhão de pessoas que vivem sob uma mesma área.
Isso fica evidente, por exemplo, durante as competições
esportivas internacionais, principalmente na Copa do Mundo
e nas Olimpíadas, quando o sentimento nacionalista
é exacerbado.
Mattos destaca essa contradição:
Ao mesmo tempo em que a globalização nos
conduz a uma aparente padronização, ela também
abre perspectivas para outras culturas. Essa contradição
é uma das características da globalização,
que precisa manter as individualidades porque essa é
uma forma de assegurar mercado consumidor para seis produtos
industriais ou culturais(P.11).
Esta talvez seja a mais importante questão
subjacente à globalização, pois enquanto
uns festejam essa facilidade de acesso a outras culturas,
outros criticam essa abertura exagerada, que esconde uma intenção
mercadológica, escamoteada em produtos culturais. O
Multiplex, que prolifera no Brasil, é um exemplo disso,
pois a programação é quase toda ela do
cinema norte-americano, o padrão de atendimento e layout
também são importados e a produção
cinematográfica de outros países praticamente
não é exibida.
Da mesma forma , boa parte dos canais
de televisão por assinatura são norte-americanos
ou passam muitos filmes e programas produzidos na terra do
Tio Sam. Em A Televisão na era da globalização
há inclusive, um texto de Ilka Vitorino que aborda
a questão das TVs a cabo, destacando a TV Comunitária
de Chapecó(SC) como uma das primeiras experiências
no Brasil de TV com produção regional a cabo,
em 1995. A autora descreve todo o processo de criação
do canal, sua programação dificuldades e qualidades.
Ressalta, por exemplo, que esse tipo de trabalho abriu um
novo mercado para a produção de vídeo
independente, o que é muito positivo para um país
que tem profissionais competentes e que nem sempre encontram
campo de trabalho.
Outro texto que vai nesse mesmo sentido
é do professor Robson Bastos da Silva, que discute
a programação da Rede Cultura, que tem uma proposta
diferenciada em relação às outras emissoras,
até porque é estatal e vive a contradição
entre apresentar um produto desvinculado dos interesses comerciais
e a necessidade de ser viabilizada enquanto empresa.
Já o texto do jornalista Natalício
Batista , Alegorias videográficas: a colagem como método
mnemônico, tem um caráter mais filosófico,
não-pragmático, mas igualmente interessante,
pois aborda a imagem televisiva como uma colagem,
que, diferente da fotografia e do cinema, agrupa fragmentos
de meios distintos sem reduzi-los, ou encadeá-los numa
narrativa lógica(PO.84). O livro tem dois textos
de professores da UFBA: um de Washington de Souza Filho, sobre
treinamento de jornalistas para a televisão, e outros
coordenado por Othon jambeiro, sobre a regulamentação
da TV aberta em países do Mercosul.
A globalização, enquanto
fenômeno que mistura culturas e aproxima povos e nações
distantes geograficamente, tem amplas abordagens cujas discussões
estão longe de se esgotar. A televisão, como
o meio de comunicação mais abrangente de todos,
está no centro desse debate e os textos contidos no
livro da coleção Intercom dão uma importante
contribuição para se entender um pouco desse
processo.
Adelmo
Borges
Jornalista
de A TARDE e mestre em
Comunicação e Cultura Contemporânea pela
Facom/UFBA
(Publicado no suplemento
A TARDE Cultural,
do dia 24 de julho de 1999)
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