A Televisão no Brasil
50 anos de história (1950-2000)

BIBLIOGRAFIA DEFINITIVA

No ano passado, a televisão brasileira completou 50 anos de vida. Graças à importância desta data choveram nas estantes das livrarias um sem número de publicações sobre as histórias da telinha, críticas, lavagens de roupa suja entre comunicadores e análises acadêmicas sobre o fenômeno desencadeado por Chatô.

Apesar da enxurrada, poucas publicações deixarão sua marca definitivamente assinalado no meio acadêmico e literário brasileiro. Uma das melhores – se não a melhor – bibliografia da televisão nacional não foi escrita por nenhum dinossauro das comunicações, como Boni ou Roberto Marinho. Com alguns meses de atraso A Televisão no Brasil: 50 anos de história, do professor cearense Sérgio Mattos, chegou para ficar.

Mattos não se preocupou apenas em descrever passivamente a história da nossa TV. Tão pouco aproveitou seu livro para desancar desafetos ou endeusar amigos. Pelo contrário. Nas 344 páginas de seu livro o leitor encontrará um bem estruturado estudo crítico dos 50 anos de programação televisiva.

Entre outros aspectos, o professor aborda o impacto sócio-econômico no desenvolvimento da televisão, o relacionamento delicado entre os chamados barões da comunicação e os dirigentes políticos – principalmente durante os anos de chumbo e a influência da indústria da publicidade na televisão.

Não faltou nem a tradicional “linha do tempo” contando ano a ano a história da telinha tupiniquim.

O professor Sérgio Mattos não estava presente na solenidade de inauguração da TV Tupi, não foi amigo ou inimigo íntimo de Chatô nem apresentou programas de auditório ao lado de Hebe Camargo.

Sua relação com a TV, portanto, não tem nada de afetiva. Mattos é um estudioso e, mesmo sem Ter passado os últimos 50 anos em frente as câmeras , conhece como ninguém os meandros da televisão. Ele é pós-graduado em comunicação pela Universidade do Texas e integra o corpo docente da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Nos últimos anos, Mattos tem se dedicado a estudar a comunicação de massa no Brasil.

 

Pedro Paulo Venceslau
(Revista Imprensa, fevereiro 2001, p.91)