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Segunda Etapa
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"Desatarei a fantasia em
cauda de pavão num ciclo de
matizes"
(Maiakovski)
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METÁFORA
7
O mundo dos brinquedos
entardeceu no tempo
Fechei a janela do dia
e encontrei todo mundo
no meio da noite...
(1969)
SAUDADE
No rosto os restos, às régias
as pétalas, a vela e o fogo...
Assinalado no peito entristeci
no tempo e no leito espero
prosternado, sonolento, tua volta...
(1969)
RECAÍDA
Sob o real, a água e o vinho
ancorado em membros e mente
permaneço encerrado entre o
céu e o inferno.
E adormecido em lágrimas
fico entre a vida e a morte
quando a paz me faz pensar...
(1969)
O
VENTO SOLUÇOU
Embriagado
teu braço
ao mar tocava
Em princípio melancólico
encrespavas as ondas do mar
enquanto secas folhas dançavam
Sumiram os pássaros
e o sol também
- a cidade emudeceu -
Comovido,
o vento começou a soluçar...
(1968)
FORMAS
VIVAS
Com vontade estéril,
estavas modulando as sombras
quando de repente...
fecundo:
Transformaste todo
o amanhecer.
- e as formas vivas
começaram a correr
(1968)
EPISÓDIOS
I
Meu olhar estava longe,
sem direção, procurava
as coisas diversas...
- Sonhava -
II
Se me fizessem calar,
as paralelas linhas da distância
me ensinariam a falar:
pois sou criança.
III
Desprezível seria
se em torrentes
de lágrimas
alegria buscasse...
(1968)
METÁFORA
6
Em montes distintos
uma vontade lubrificante
nasceu...
O espírito vibrou
O corpo executou
E no ventre - corpo,
a vida em carícias flutuou...
(1968)
LACUNA
Nos fragmentos do espaço
no vento esvoaçante
estão os sentimentos esfarrapados
Inundando a terra ensangüentada,
um testemunho é acorrentado
nos anseios da fertilidade.
E na névoa da madrugada,
os pensamentos revoltados
são sepultados
num orvalho de prata
pelo poeta que palpita
em busca da liberdade...
(1968)
Índice
A poesia de Sérgio Mattos / Primeira
Etapa /
Segunda Etapa / Terceira Etapa
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