Nas Teias do Mundo

Apresentação


A POESIA DE SÉRGIO MATTOS

 Carlos Eduardo da Rocha
(Poeta e membro da Academia de Letras da Bahia)

Pedro Nava, no prefácio que escreveu para o "Poemas Bissextos", de Fernando da Rocha Peres, dá o significado literal da palavra prefácio que é "discurso preliminar posto no limiar de uma obra para explicar de modo sucinto suas finalidades e intenção com que foi concebida".

Dentro desse conceito os próprios autores prefaciando suas obras explicavam suas intenções como fizeram desde a antigüidade até o século XIX.

Como Pedro Nava, considero a inutilidade de explicar a poesia, na verdade um poeta não necessita de explicação para a sua obra, o poema como o amor é determinado e acontece.

O que precisa mesmo o poeta é apenas lançar a sua mensagem, com o espírito verdadeiramente da poesia, como está fazendo Sérgio Mattos em seu livro "Nas Teias do Mundo".

Os seus belos poemas refletem o mundo próprio do poeta e as teias são urdidas com os fios de um terno lirismo onde a pureza da infância é uma constante de poesia:

Vez por outra
em sonhos eu sinto
a lembrança da criança
que um dia deixei de ser.

No poema metáfora número dois evoca o sentido lúdico das primeiras emoções amanhecentes:

 O mundo dos brinquedos
entardeceu no tempo
.

Ainda em outros poemas a nostalgia da inocência poética cresce numa afirmação comovedora quando diz:

Se me fizessem calar,
as paralelas linhas da distância
me ensinariam a falar,
pois sou criança.

Outras teias mais fortes de conteúdo emocional se entrecruzam na poesia de Sérgio Mattos quando os temas de amor, despidos da sensualidade vulgar, reforçam a trama de suas teias:

Minha dor se dilui
e enquanto teus dedos deslizam
em meus cabelos
renasce mais uma estrela infinita.


Em outros versos um lirismo exaltado como que é proclamado pelo poeta quase num grito de afirmação:

Andei exclamando paixões
e interrogando amores
.

E nessa exaltação lírica o poeta Sérgio Mattos afirma-se numa atitude intimista, rara em nosso mundo de hoje de tantas preocupações de massa:

Permaneço disperso, sentindo o teu perfume
e tua presença, suspensa nas nuvens da imaginação
.

Em muitos dos seus pequenos poemas, mesmo quando sentenciosos, Sérgio Mattos não abandona o seu temperamento lírico e o seu poema Rebeldia, é curiosamente uma violência inconcebível num poeta de tanta mansidão:

Despedacei uma rosa
e me deitei de costas para a lua...

O título do poema e as reticências confirmam a atitude poética de valorizar ainda que, com uma vaga ironia, dois dos maiores lugares comuns da eterna poesia lírica, a rosa e a lua.
Sem hermetismos tão em moda, os poemas de Sérgio Mattos construídos com a boa matéria da palavra e valorizada, repito, não necessitam de prefácio. A simples apresentação dos seus versos é o que de melhor posso fazer e o único prefácio que me permitiria por convicção e também pela certeza de que somente a vivência do poeta mais velho, e só por isso, me foi solicitada a honrosa missão de apresentar um novo poeta, o que faço com muita alegria e com uma SAUDAÇÃO.


Índice
A poesia de Sérgio Mattos / Primeira Etapa /
Segunda Etapa
/ Terceira Etapa