| 2. ESTUDOS SOBRE A TELEVISÃO
BRASILEIRA
DESCRIÇÃO E
CLASSIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO EXISTENTE
Apesar da televisão ter começado
a operar no Brasil em setembro de 1950, este veículo
só passou a ser objeto de estudo acadêmico a partir
da década de 60, quando as primeiras pesquisas, analisando
o conteúdo de sua programação e seus efeitos sociais,
começaram a ser realizadas. O início de estudos sistemáticos
dos veículos de comunicação de massa coincide com o
período da criação de escolas de comunicação por todo
o território nacional.
Na década de 70, quando a televisão
já havia se estabelecido no país como o mais ativo e
importante veículo da indústria cultural, constata-se
um considerável aumento na quantidade de pesquisas,
descrevendo a estrutura organizacional da comunicação
televisiva, analisando suas mensagens e efeitos no receptor,
desvendando suas relações com os grupos dominantes e
apresentando suas características de veículo capitalista
e dependente.(1)
Examinando o material bibliográfico
sobre a televisão, pode-se constatar que a maioria dos
trabalhos produzidos no Brasil apresentam análises e
descrições sobre como este veículo se desenvolveu, influenciou
ou foi utilizado pelas classes dominantes. Como José
Marques de Melo sintetiza:
Este fenômeno reflete o
engajamento, consciente ou inconsciente da maioria
dos pesquisadores da comunicação na tarefa de
melhor compreender os instrumentos que a burguesia
utiliza para expressar e reproduzir a sua visão
do mundo.
...É considerável, sobretudo nos últimos anos,
os trabalhos acadêmicos que vislumbram numa
postura crítica, os problemas nacionais de comunicação.
Ou seja, que os analisam numa ótica não necessariamente
coincidente com a das classes dominantes.(2)
Nas pesquisas produzidas na primeira
metade da década de 80, verifica-se, apesar da insistência
dos pesquisadores em analisar aspectos trabalhados em
décadas passadas, uma tendência no sentido de aprofundar
o conhecimento sobre a recepção das mensagens televisivas
pelo público.
Apesar da produção bibliográfica
brasileira sobre a televisão já ser bastante expressiva,
constata-se, ainda, escassez de autores que se dediquem
ao estudo de aspectos ainda não examinados ou que já
o foram, mas de maneira superficial.
O objetivo deste capítulo é identificar,
classificar e descrever a bibliografia acadêmica/profissional
disponível no país sobre a televisão brasileira. Visando
a apresentar uma maior sistematização, os estudos identificados
foram classificados por temas: 1) Aspectos Históricos
da Televisão; 2) Aspectos Sociais; 3) Aspectos Políticos;
4) Aspectos Econômicos; 5) Informações Complementares.
Os estudos correspondentes a cada
um destes títulos foram agrupados de acordo com suas
respectivas especificidades e/ou coincidência temática.
Os trabalhos foram organizados em ordem cronológica,
de maneira a permitir uma melhor identificação do conhecimento
acumulado sobre cada aspecto da televisão estudado no
Brasil. Os estudos que tratam de mais de um aspecto
do desenvolvimento deste veículo foram classificados
neste revisão de acordo com a maior ênfase dada por
seus autores aos temas acima citados.
ASPECTOS
HISTÓRICOS DA TELEVISÃO
2.1.1.
Aspectos gerais
A maioria dos estudos realizados
sobre a televisão brasileira (mesmo aqueles que enfocam
apenas um dos vários aspectos do desenvolvimento deste
veículo) é marcada por uma forte preocupação com a história,
registrando seus fatos, datas e estatísticas mais significativas.
Uma tese de mestrado(3), defendida
nos Estados Unidos, em 1968, por Mauro Lauria de Almeida,
foi um dos primeiros estudos a apresentar um panorama
da evolução da televisão brasileira durante suas duas
primeiras décadas. Esta tese foi traduzida e publicada
no Brasil, em 1971, sob o título A Comunicação de
Massa no Brasil, constituindo-se, também, em um
dos primeiros livros publicados no país a abordar a
história da televisão brasileira, ainda que em apenas
dois capítulos: um sobre a televisão comercial e outro
sobre a televisão educativa.
Realizando um trabalho pioneiro,
Almeida (1968 e 1971) introduziu dados históricos sobre
as nossas primeiras emissoras de TV, abordando o processo
de concessão dos canais, a legislação e o funcionamento
das instituições oficiais relacionadas com o setor.
O autor descreveu ainda o desenvolvimento das programações
de nossa televisão, caracterizando-a como veículo de
publicidade e propaganda. Sobre a televisão educativa,
ele registrou sua implantação no País, dedicando especial
atenção à TV Cultura e à criação da FUNTEVE (Fundação
Centro Brasileiro de Televisão Educativa), concluindo
com um comentário sobre o futuro da TV Educativa e dos
respectivos centros de produção.
Em 1973, João Rodolfo do Prado publicou
um livro que tinha a pretensão de ser didático, com
o objetivo de traçar um esboço da televisão como veículo
de comunicação de massa. Neste livro, TV Quem Vê Quem,
Prado tratou a televisão como processo, apresentando
seus aspectos técnicos, políticos, econômicos e suas
limitações de linguagem. O livro é composto por três
partes: na primeira, o autor apresenta, esquematicamente,
as linhas básicas do processo-TV. Na Segunda, analisa
os dados estatísticos sobre produções e programações
de nossas emissoras. Na terceira parte do livro encontra-se
compilada uma série de artigos anteriormente publicados
pelo autor, na imprensa.
Raízes e Evolução do Rádio e
da Televisão é o título do livro de autoria de Octavio
Augusto Vampré, publicado em Porto Alegre, no ano de
1979. Neste trabalho, o autor apresentou um importante
documentário cronológico da telerradiodifusão brasileira,
cobrindo o período de 1823 a1979.
Em 1984, seguindo uma ordem diacrônica
do desenvolvimento do rádio e da televisão no Brasil,
Mário Ferraz Sampaio publicou um dos mais completos
estudos sobre a nossa televisão, dentro de uma Perspectiva
histórica. Trata-se do livro História do Rádio e
da Televisão no Brasil e no Mundo. Depois de discorrer
sobre a telegrafia, telefonia e apresentar alguns aspectos
sobre a implantação da radiodifusão no mundo e no Brasil,
Mário Sampaio aborda a história da televisão brasileira,
destacando o pioneirismo de Assis Chateaubriand. Segundo
ele, a televisão só se consolida no país a partir de
1955. Em seu trabalho destaca-se o estudo comparativo
entre os artistas de rádio e de televisão, com o aparecimento
das novelas. Ele analisa, também, o advento da televisão
em corres no país e apresenta aspectos gerais sobre
a televisão educativa.
2.1.2. Aspectos
específicos
Os estudos de caráter histórico
incluídos nesta seção foram classificados como específicos
por se concentrarem em uma empresa ou rede televisiva
de per si. Esses trabalhos foram produzidos a partir
do governo Geisel, quando o país começou a viver o período
de transição política com a chamada "distensão", seguido
da "abertura política" do governo Figueiredo e o início
da Nova República. Dois dos 11 estudos aqui identificados
datam da Segunda metade da década de 70 e os demais,
de 1982 em diante.
Em 1976, Hamilton Almeida Filho
publicou um livro intitulado O Ópio do Povo: O Sonho
e a Realidade, no qual realiza um estudo sobre a Rede
Globo de Televisão. Através de uma série de documentos
e artigos veiculados pela imprensa, este livro consegue
resgatar expressivas informações do debate entre a Globo
e as demais concorrentes sobre o envolvimento da primeira
com o capital estrangeiro proveniente do grupo americano
Time-Life e a inconstitucionalidade desses contratos.
O autor realiza, também, uma análise da programação
da Globo, concluindo que é através da telenovela que
a rede mantém um público cativo, garantindo "a integração
do mercado nacional".
Enquanto Almeida Filho estudou a
Globo, Maria Elvira Bonavita Federico, em 1979, defendia
uma tese de mestrado na ECA/USP sobre a TV Bandeirantes,
Canal 13, de São Paulo. Neste trabalho, O Sistema
Brasileiro de Radiodifusão: Estrutura e Funcionamento
de uma Empresa, a autora apresenta uma descrição
da estrutura organizacional da empresa antes dela se
transformar em rede nacional. Para situar a Bandeirantes
dentro do contexto, Federico apresenta uma retrospectiva
histórica da evolução da televisão no Brasil, analisando
o envolvimento da mídia eletrônica com o Estado e o
papel que desempenha como instrumento de diversão e
comércio.
Uma outra tese de mestrado que se
concentrou em emissora de televisão foi a de Paula Cesari
Cundapi, apresentada em 1984, em São Bernardo do Campo,
no Instituto Metodista, sob o seguinte título: Assis
Chateaubriand e a Implantação da Televisão no Brasil.
Ela analisa o contexto sócio-econômico-cultural do estado
de São Paulo, na década de 50, quando a primeira emissora
de TV foi ali implantada.
Dois anos antes desta tese, um "livro-documento",
escrito por Humberto Mesquita (1982), intitulado Tupi:
a Greve da Fome, relata, com detalhes, os últimos
dias da TV Tupi, o processo da liquidação oficial do
grupo dos Diários Associados e a constituição de duas
novas redes de televisão no país: SBT e Manchete. Segundo
autor:
no dia do anúncio, o presidente
Figueiredo, ao justificar a licitação de duas
novas redes, admitiu a existência do monopólio
na televisão brasileira. Mas, ao citar nominalmente
a TV Globo, disse que ""Roberto Marinho tem
o monopólio não porque deseja, mas porque as
outras redes não dispõem de condições para disputar
com ele"- Em nome da concorrência, o governo
abriu as perspectivas de duas novas redes de
televisão(Pág.165).
O trabalho de Mesquita (1982), apresentando
aspectos da história mais recente, o de Cundapi (1984)
e o de Simões (1986)) se completam, apresentando uma
visão geral do papel desempenhado pela Rede Tupi para
o crescimento da mídia eletrônica no Brasil(4).
O estudo de Inimá Simões (1986)
(5) sobre a TV Tupi descreve, sucintamente, a história
da emissora a partir de sua inauguração em 18 de setembro
de 1950 até 1980. Segundo o autor, "a improvisação dominou
a Tupi do princípio ao fim", concluindo que a falta
de organização e a corrupção marcaram toda a história
da Tupi.
Maria Rita Kehl (1986), no ensaio
"Eu vi um Brasil na TV" , apresenta uma minuciosa história
da Rede Globo desde a data em que seu sinal foi ao ar,
em abril de 1965. Ela analisa todas as transformações,
internas e externas, da rede visando alcançar a liderança
de audiência que ainda hoje mantém. A autora demonstra
como a rede se tornou, desde 1969, um "eficiente veículo
de integração nacional", transmitindo "uma única programação...
para dois terços dos 75 milhões de telespectadores brasileiros,
cobrindo 4.220Km do território nacional". Kehl realiza
também um levantamento crítico de todas as telenovelas
globais até "Roque Santeiro".
Data também de 1986 o estudo realizado
por Alcir Henrique da Costa: Rio e Excelsior: Projetos
Fracassados. Neste ensaio, o autor analisa a experiência
da TV Rio e da TV Excelsior, considerando a estrutura
de organização empresarial das duas emissoras e os comprometimentos
políticos, principalmente da TV Excelsior, de propriedade
da família Walace Simonsen. Segundo o autor, a Excelsior,
criada em 1959, construir seu êxito, mas desapareceu
como conseqüência do confronto que estabeleceu com os
monopólios estrangeiros ao posicionar-se favoravelmente
ao populismo do governo de João Goulart. O autor destaca
a importância da TV Rio através do depoimento de Geraldo
Casé, segundo o qual aquela emissora marcou "o apogeu
da televisão romântica no país", tendo sido campeã de
audiência entre 1967 e 1970, além de ter formado os
profissionais que ainda hoje atuam no mercado. Enquanto
a TV Rio foi a primeira emissora a fazer uso do videoteipe
no Brasil, a TV Excelsior introduziu o conceito de "verticalidade
e horizontalidade da programação da programação" e criou
a telenovela diária, inovando, também, na área do telejornalismo.
Para ressaltar a dimensão do papel da TV Excelsior para
o desenvolvimento da televisão no Brasil, o autor cita
um depoimento de Álvaro Moya no qual ele afirma que
a Globo imita hoje o que a Excelsior foi, "e sem nenhuma
criatividade".
Em busca de melhor entender o que
a Globo representa hoje foi que Daniel Herz realizou
a pesquisa que resultou no livro A História Secreta
da Rede Globo, publicado em 1987. Herz reconstrói
a história da radiodifusão brasileira, em geral, concentrando-se
na implantação da Globo, em particular.
Um dos mais recentes livros sobre
aspectos históricos específicos é o de Laurindo Leal
Filho, intitulado Atrás das Câmeras, editado
em 1988. Este trabalho tem como foco de interesse não
a televisão comercial mas sim uma emissora educativa:
A TV Cultura de São Paulo, cuja linha de atuação acabou
registrando a influência e captando as tendências das
emissoras privadas. O autor analisa o relacionamento
entre a televisão, a cultura e a política, destacando
suas contradições: autoritarismo e democracia, cultura
popular e cultura de elite, televisão e ensino, mensagem
e negócio, liberalismo e populismo.
2.2. ASPECTOS SOCIAIS
A maior parte de toda a produção
acadêmica/profissional do país concentra-se nos aspectos
sociais da televisão. Para descrevê-los cronologicamente
e facilitar seu entendimento, estes estudos foram divididos
em duas seções: Na primeira, estão os que tratam da
produção e recepção das mensagens televisivas, abordando
sua influência e efeitos sociais. Na Segunda, estão
os trabalhos sobre os programas da televisão, agrupados
de acordo com os temas mais freqüentes: telejornalismo,
telenovela e programas infantis.
2.2.1. A televisão, sua
mensagem, influência e efeitos sociais(Produção e recepção
das mensagens)
Em 1966, Rui Marins publicou um
livro questionando os efeitos da comunicação coletiva
nos principais centros urbanos do país. Seu trabalho,
intitulado A Rebelião da Jovem Guarda, questiona,
principalmente, a televisão que, segundo o autor consegue
impor no universo das famílias tudo aquilo que projeta
no seu vídeo, levando as pessoas a aceitarem ou rejeitarem
os padrões de comportamento de personagens que passam
a ser considerados como heróis. "Esses heróis tornam-se,
pouco a pouco, quase reais, pois podem ser vistos e
ouvidos dentro dos próprios lares. Cria-se, assim, a
necessidade de encontro entre o espectador e o seu herói."
A imposição dos valores da classe
dominante, através dos meios de comunicação de massa,
é analisada, em 1971, através dos ensaios de José Marques
de Melo sobre os fenômenos conjunturais da comunicação
brasileira na década de 60. Em seu livro Comunicação,
Opinião, Desenvolvimento, o autor demonstra o controle
que a elite política e econômica exerce sobre a televisão
e os demais veículos de massa.
Em 1972, Nelly Camargo concluiu
um estudo sobre a mudança no quadro referencial dos
habitantes de são Luís do Maranhão diante da televisão
(6). Foram analisadas as mudanças de valores e de aspirações
por influência da televisão, tendo a autora concluído
que, apesar de possíveis resistências, o êxito do uso
da televisão com fins de desenvolvimento cultural só
será obtido quando se levar em conta o quadro de referência
do público com que se deseja trabalhar.
Sobre os efeitos sociais deste veículo
nos jovens, também em 1972, L.F. Coutinho defendeu uma
tese de doutoramento, na USP, intitulada Adolescentes
e Televisão. O autor sintetiza, neste trabalho,
a controvérsia dos efeitos positivos: a rapidez com
que o telespectador pode adquirir conhecimento e informação;
o favorecimento do desejo de mudança e da adoção de
inovações tecnológicas. Como efeitos negativos o autor
destaca: o rebaixamento dos padrões de gosto Artístico
em conseqüência do baixo nível dos programas veiculados;
redução do tempo destinado a outras atividades como
a leitura e o possível agravamento de condutas e atitudes
antí-sociais em decorrência dos programas que ridicularizam
a instituição familiar.
Samuel Pfromm Neto (1972 e 1976),
analisando os meios de comunicação de massa, sua natureza,
modelos e imagens, com fins educacionais, deixa transparecer
suas preocupações em relação às influências da televisão
na sociedade como um todo e na criança em particular
(7). Por sua vez, Modesto Farina (1976) defendeu uma
tese de mestrado na qual apresenta uma análise dos estímulos
utilizados pela propaganda, através da televisão, abordando
suas conseqüências diretas sobre o consumidor.(8)
Quando os debates em torno da influência
da televisão estavam no auge, Anamaria Fadul (1976),
num ensaio intitulado "Decadência da Cultura Regional:
A Influência do Rádio e da TV", argumentou não ser o
rádio e a televisão os únicos responsáveis pela decadência
cultural. Segundo ela, o processo de decadência se verifica
dentro do contexto sócio-econômico e político nacional,
do qual os veículos de comunicação de massa, principalmente
a televisão, são os porta-vozes. Para Fadul: "a função
da televisão é completamente diferente daquela do rádio
pois com o poder universalizante da imagem, ela passa
a representar um papel fundamental na transformação
dos padrões culturais. É, na atualidade, o veículo de
maior divulgação"(1976:50).
Em 1977 despontam dois estudos sobre
os efeitos da televisão. Sarah Chucid Viá, no livro
Televisão e Consciência de Classe, analisa as
mudanças de valores culturais causados por esse veículo,
enquanto Sílvio de Oliveira Santos, em sua tese de mestrado
intitulada O Escolar e a Televisão, apresenta
dados sobre como as crianças em escolas de primeiro
grau, avaliam suas próprias experiências televisivas.
A força da televisão como transformadora
de valores e costumes levou Luís Milanesi a realizar
um dos mais completos trabalhos sobre esta influência
que culminou na publicação do livro O Paraíso Via
Embratel, em 1978. Neste livro o autor estuda o
processo de integração de Ibitinga, uma cidade do interior
paulista, na sociedade de consumo. Para ele, tanto o
rádio como a televisão reforçam as mudanças, estimulando
o consumo da sociedade. Milanesi apresenta, com detalhes,
todo o processo de padronização e massificação da sociedade
de Ibitinga, através da televisão. Ele procura "situar
a TV entre os fatores de mudança e determinar o papel
desempenhado por ela"(Pág.18).
Enquanto Milanesi (1978) se dedicou
ao estudo dos efeitos da televisão em um município paulista,
Maria Helena Rennó Nunes (1979) realizou uma avaliação
dos 10 anos de experiência da TV Educativa da USP através
de sua tese: A Televisão de Circuito Fechado Como
Recurso Instrucional Para a Universidade – Experiência
e Propostas. Nunes constatou que as experiências,
utilizando a televisão como recurso no ensino universitário,
obtiveram resultados inovadores e animadores.
Já José Manuel Morán (1979) apresenta
outros aspectos do veículo em seu ensaio intitulado
A Mensagem Estética Televisiva. Neste trabalho
ele explica que existem quatro dimensões através das
quais se pode analisar a mensagem estética da televisão:
1)a obsessão rítmica, 2) a pseudo-relação direta-encatatória,
3)a homogeneização questionada, 4) o seu efeito multiplicador.
Regina Coeli Pimenta de Mello (1980),
na tese Indústria Cultural e Dependência: Uma Proposta
de Reflexão no Brasil, depois de abordar a indústria
cultural e sua contribuição à produção e reprodução
das relações sociais no país, levanta a problemática
da dependência na conformação desse quadro, revelando
o autoritarismo como efeito multiplicador. Em seu trabalho
ela apresenta um estudo de caso sobre o Programa de
Flávio Cavalcanti.
Dando continuidade às reflexões
sobre este veículo, um missionário alemão, Reinaldo
Brose (1980), que viveu por mais de 10 anos no Brasil,
escreveu o livro O Visitante Eletrônico. Neste
trabalho ele relata aspectos da televisão na educação
familiar e apresenta propostas de ação para se desenvolver
uma consciência crítica dos meios de comunicação de
massa nas igrejas e grupos comunitários.
No livro Telemania, Anestésico
Social, José Marques de Melo *1981) vai um pouco
mais além das propostas de Brose (1980), desenvolvendo,
também, algumas reflexões sobre a função social da televisão,
destacando o seu papel de agente alienador. Marques
de Melo analisa a televisão dentro do contexto político
e econômico, demonstrando suas vinculações com a estrutura
oficial. Com este livro o autor dá uma contribuição
para uma visão crítica da comunicação de massa no Brasil.
Os estudos críticos sobre a televisão
tiveram seqüência, no ano de 1982, com a publicação
do segundo número do Cadernos do INTERCOM , dedicado
ao tema "Televisão, Poder e Classes Trabalhadoras".
Nele cinco ensaios abordam as condições de produção
e de recepção da televisão brasileira, analisando as
interferências do poder político e econômico no seu
desenvolvimento bem como o papel político da televisão
como instrumento da educação permanente das classes
trabalhadoras. (9)
Ana Maria Ramos (1983), em Escola
X Indústria Cultural: O Papel de uma Escola na Formação
do Espírito Crítico, investiga os tipos de efeito
dos produtos da indústria cultural, principalmente a
televisão, sobre estudantes na fase da adolescência.
A autora conclui que os estudantes não recebem, em suas
escolas, qualquer orientação crítica sobre os meios
de comunicação de massa porque seus professores também
não foram preparados e permanecem despreparados para
exercerem o papel de formadores de receptores críticos,
em relação aos veículos de massa.
Em 1983, Heloísa Dupas Penteado
publicou um ensaio, A Televisão e os Adolescentes:
A Sedução dos Inocentes, no qual analisa a influência
da televisão na formação dos jovens, bem como a atuação
deste veículo assumindo o papel de escola e concorrendo
com a escola tradicional. Neste mesmo ano, Carlos Alberto
Pereira e Ricardo Miranda (1983) publicaram um livro,
Televisão – As imagens e os sons: no ar o Brasil,
apresentando um estudo que tem o objetivo de "compreender
melhor o processo através do qual a TV se relaciona
ou se comunica com os telespectadores e vice-versa".
Um outro trabalho, O Mito na
sala de jantar: Discurso Infanto-juvenil sobre a
televisão, de Rosa Maria Bueno Fischer (1984) oferece
outros aspectos da influência da televisão, complementando
assim os trabalhos de Ramos (1983), Penteado (1983)
e de Pereira & Miranda (1983). Rosa Fischer faz
uma análise interpretativa da presença do mito na TV,
abordando a complexidade da reação do receptor diante
das mensagens. Segundo a autora, as mensagens transmitidas
atingem a subjetividade das pessoas pela presença do
mito, sendo que o meio (a televisão) seria o responsável
direto pela vivência eletrônica do mito.
2.2.2. Programas televisivos
Um dos primeiros estudos sobre a
programação de televisão foi o realizado por Roberto
Benjamin (1968), cujos resultados estão contidos na
publicação intitulada Programação da TV Brasileira.
O autor faz a análise da programação referente ao período
de 14 de julho a 31 de agosto de 1968, de duas emissoras
de televisão comercial do estado de Pernambuco. Televisão
Jornal do Comércio e Televisão Rádio Clube de Pernambuco.
Em 1971 foi publicado um dos mais
importantes livros para o estudo do conteúdo da televisão
brasileira, A Comunicação do Grotesco, de Muniz
Sodré. O autor aborda o problema da mensagem televisiva
brasileira, identificando e analisando alguns aspectos
de nossa cultura de massa. A televisão é estudada como
veículo diretamente ligado ao lazer. Em seu trabalho
destaca-se o que ele chama de "behaviorismo do gosto"
que determina a programação das emissoras comerciais
e de suas característica principal: O Grotesco.
A Noite Madrinha, publicado
em 1972, Sérgio Miceli faz uma análise da ideologia
que permeia os programas de auditório da televisão brasileira,
concentrando-se no de Hebe Camargo. Realizando um estudo
sócio-semiológico ele tenha reconstruir o sistema de
significações que o programa de auditório propõe e reproduz
no público que o vivência.
Em 1985, Gabriel Priolli publicou
o ensaio A Tela Pequena no Brasil Grande,
no qual resgata a história da televisão desde 1950,
tomando sua programação como parâmetro. Priolli apresenta
o desenvolvimento da TV estabelecendo um paralelo entre
a evolução e nível de sua programação e o tipo de avanço
tecnológico que condicionou o desenvolvimento do País,
incluindo seus aspectos políticos e sociais. De acordo
com o trabalho de Priolli, o comportamento histórico
da televisão brasileira por ser identificado através
de suas produções e tipos de programação. Segundo o
autor, na década de 50, a TV foi elitista. Na década
de 60 ela competiu por audiência. Na de 70 ela se modernizou
tecnologicamente, embora adotando uma postura de servilismo
ao regime militar. Na década de 80 ela se expandiu:
abertura de mais duas redes, início das produções independentes
para TV e o "boom" do videocassete.
Sobre as programações de nossa televisão
Priolli diz ainda: "Duas características são marcantes
na programação inicial da TV brasileira: a herança radiofônica
e a subordinação total dos programas aos interesses
e estratégias dos patrocinadores. Ao contrário da TV
norte-americana, que se ergueu sobre a sólida base da
indústria cinematográfica, a nossa TV teve de recorrer
à estrutura do rádio, importando procedimentos técnicos,
esquemas de programação, idéias e mão-de-obra" (1985:23).
2.2.2.1. Programas infantis
Enquanto os efeitos da televisão
na sociedade como um todo e na criança em particular
têm sido objeto de inúmeros estudos, poucos são os pesquisadores
que se têm dedicado à análise de programas especificamente
destinados ao público infantil. Entre eles estão Maria
José Beraldi (1979), Elza Dias Pacheco (1981), Maria
Felisminda de Rezende Fusari (1982 e 1985) e Jelcy Maria
Baltazar (1987). Contudo, o foro de estudo de todos
eles foi o desenho animado.
Beraldi (1979) defendeu tese de
mestrado, a USP: Televisão e Desenho Animado: O Telespectador
Pré-Escolar. Pacheco (1981) realizou um estudo sobre
a série do "Pica-pau", objetivando constatar se a personagem-título
é herói ou vilão. Em sua análise a autora tenta identificar
a representação social da criação e discute a reprodução
da ideologia dominante através desta série.
Em 1982, Fusari também fez uma pesquisa,
sobre o "Pica-pau", abordando a prática de processamento
da mensagem televisiva em adultos e crianças na idade
pré-escolar, em São Paulo, analisando a problemática
da desinformação e deseducação e as influências recíprocas.
Em 1985, a própria Fusari desenvolveu outro estudo:
O Educador e o Desenho Animado que a Criança vê na
Televisão. Sua área de interesse continuou a mesma,
sendo que este livro é mais abrangente, caracterizando-se
como um trabalho da área de psicologia educacional.
Ela se preocupa com a prática do telespectador-educador,
que trabalha com crianças, tanto no ambiente escolar
como doméstico e analisa o comportamento do telespectador
pré-escolar. Ela identifica e descreve preferências
das crianças de uma escola municipal em relação à programação
transmitida pela televisão paulista. Realiza, ainda,
uma análise das características de desenhos animados
da série "Pica-pau" a partir das opiniões de telespectadores
adultos, coletadas no período de junho a julho de 1980.
Por sua vez, Jelcy Maria Baltazar
realiza uma análise da estrutura familiar no trabalho
intitulado "Os Flintstones: Estereótipos da relação
familiar", que foi publicado na revista Comunicação
& Sociedade, em novembro de 1987.
2.2.2.2. Telejornalismo
O estudo de programas de informação,
principalmente os telejornais, tem despertado a curiosidade
de alguns pesquisadores. Em 1971, Walter Sampaio publicou
um livro, Jornalismo Audiovisual, eminentemente
didático, abordando, pela primeira vez no Brasil, os
conceitos e técnicas de elaboração e apresentação das
notícias e reportagens na televisão. Neste livro, Sampaio
apresenta, também, uma breve história do telejornalismo
brasileiro.
Em 1979, Contijo Teodoro publicou
um livro, Você entende de notícia?, apresentando
uma série de depoimentos sobre a "saga da televisão
brasileira". O autor discorre sobre "os jornais da tela"
e sobre um dos mais famosos noticiários da televisão
brasileira: "O Repórter Esso".
Em 1981, Gisela Goldenstein participou
de uma pesquisa patrocinada pela ISA (Internacional
Sociological Association), visando detectar o processo
pelo qual a realidade é construída nos noticiários das
televisões de 57 países, inclusive o Brasil. Os resultados
deste trabalho foram publicados, em inglês, sob o título:
TV News and the Production of Reality. O estudo
apresenta uma análise da ideologia dos noticiários de
maior audiência de cada um dos países pesquisados. No
Brasil, o objeto de estudo foi o "Jornal Nacional" da
Rede Globo de Televisão que, aliás, vem sendo observado
por vários estudiosos desta área.
Ainda em 1981, uma tese de mestrado
defendida na ECO/UERJ aborda, também, o telejornalismo:
De Fato é Notícia, de autoria de Davide da Conceição
Mota. O autor correlaciona os fatos e a narrativa audiovisual
com a retórica das notícias. Ele conclui seu estudo
tentando uma sistematização do que seria a ordenação
dos elementos, a reportagem e a edição da notícia.
Já Luís Fernando Santoro (1982)
publicou um ensaio, abordando a Televisão e divulgação
científica: uma espaço para o fantástico. Ele analisa
a divulgação do que é considerado como "informação científica"
através da TV, mas que "não passa de charlatanismo".
Santoro examina os principais obstáculos para a produção
de programas "verdadeiramente científicos" na televisão
brasileira.
Em 1982, Inês Pereira Luz divulgou
um ensaio, TV Mulher e a comunicação comunitária,
no qual disseca o programa o programa TV-Mulher da Rede
Globo, analisando o conteúdo do programa sob a ótica
jornalística. Ela examina, inclusive, a maneira pela
qual é tratada, no programa, a questão político-social
da mulher, a partir de uma concepção crítica de comunicação
comunitária. O estudo tenta identificara influência
deste programa sobre a população, verificando o processo
de conscientização dos grupos comunitários e observando
também a influência da ideologia dominante sobre os
mesmos.
Guilherme Jorge Rezende tem-se dedicado
ao estudo do "Jornal Nacional" da Rede Globo, sobre
o qual já publicou dois trabalhos: 1) Jornal Nacional
comemora 15 anos, publicado em, 1984, e, 2) O
Tele-espetáculo da notícia, análise morfológica do conteúdo
de uma semana (7 a 13 de janeiro de 1982) do Jornal
Nacional da Rede Globo de Televisão, publicado em
1985. NO primeiro, Rezende apresenta um panorama histórico
do Jornal Nacional e, no segundo, tenta caracterizar
a produção jornalística de nossa televisão a partir
da descrição do sistema mercantilista de nossas emissoras.
Outro trabalho dedicado ao Jornal
Nacional foi o realizado em 1985 por Carlos Eduardo
Lins da Silva, intitulado: Muito Além do Jardim Botânico,
no qual ele realiza um estudo sobre a audiência que
este programa tem entre os trabalhadores e como as informações
são interpretadas. Lins da Silva faz uma análise da
reconstrução da realidade pelos trabalhadores de duas
comunidades, uma em São Paulo, outra no Nordeste. Em
sua análise ele considera as informações que os trabalhadores
recebem não apenas da televisão, como também de fontes
interpessoais, igreja, movimento sindical, partidos
políticos e outros meios de comunicação de massa. Segundo
ele, o conteúdo das informações transmitidas pela televisão
é recebido pelos trabalhadores já filtrado, transformando-se,
assim, apenas em mais um componente na formação da representação
da realidade.
Em 1986, Geraldo Magela Braga publicou
o ensaio e Indústria Cultural Comunicação Rural:
Análise do espaço rural na TV Brasileira, apresentando
uma análise crítico-descritiva dos programas "Globo
Rural" e "Som Brasil". Ele descreve o papel da televisão
como difusora de inovações tecnológicas para o meio
rural.
2.2.2.3. Telenovela
As telenovelas produzidas no Brasil
vêm sendo objeto de estudos desde a Segunda metade da
década de 60, quando José Marques de Melo (1969) publicou
um dos primeiros ensaios sobre este tipo de programa
da nossa televisão. Em seu trabalho, Telenovelas:
Catarse Coletiva, o autor descreve os antecedentes
desse programa "produto típico da cultura de massa".
Marques de Melo salienta que a telenovela "teve seu
protótipo no romance burguês do século XVIII e nos folhetins
do século XIX" , tendo sido também utilizado por outros
meios de comunicação (cinema e rádio) "para atrair multidões".
Marques de Melo define a telenovela como " Um fenômeno
singular da televisão brasileira. Surgiu, por volta
de 1964, como um recurso das emissoras paulistas e cariocas,
para superar os baixos índices de audiência (naquele
ano o IBOPE registrava uma média de 64% de aparelhos
desligados".
Em 1970, em um outro trabalho,
Comunicação Social: Teoria e Pesquisa, que também
é considerado um estudo pioneiro sobre os fenômenos
da comunicação social dentro do contexto da realidade
nacional, Marques de Melo aborda o tema mais uma vez
no ensaio intitulado A Função das Telenovelas e Perfil;
do seu Público Feminino em São Paulo.
A primeira análise semântica linear
de duas telenovelas ( "Selva de Pedra" e "Cavalo de
Aço") foi realizada por Mônica T. Rector, no livro A
Mensagem da Telenovela, no ano de 1973. Segundo
a autora, as telenovelas podem ser decompostas pelo
fato de existir redundância em todas elas: os personagens
e o local onde a estória se desenrolas por mudar, mas
permanecem os tipo de relações entre os indivíduos e
entre estes e a sociedade.
No ano seguinte, em 1974, Sônia
Miceli Pessoa de Barros defendeu uma t4esse de mestrado
na USP, acrescentando à bibliografia específica mais
um trabalho: Imitação da Vida (Pesquisa exploratória
sobre a telenovela no Brasil). Em seu estudo, Barros
faz um levantamento das condições de operação da nossa
televisão entre os anos de 1970 a 1972, analisando as
alterações de linguagem e significação como um resultado
da crescente intervenção do Estado sobre a produção
das mensagens. Segundo o entendimento da autora, essa
intervenção é uma tentativa de ocasionar uma "conversão
de grande parte de um público heterogêneo, no sentido
de homogeneizá-lo". Ela constatada que as telenovelas
têm exercido um importante papel na reprodução de estruturas
de dominação política e econômica.
Em 1975, J.V. Tilburg publicou um
ensaio intitulado O Estereótipo na Telenovela,
no qual faz uma análise da telenovela como representação
simbólica do real. Em 1980, o Centro de Investigação
e Divulgação publicou pela Vozes Editora o estudo: A
Telenovela, Instrumento de Educação Permanente.
Este trabalho apresenta uma análise sobre as telenovelas
brasileiras sob o ponto de vista da codificação icônica.
Foi também em 1980 que Vera Brandão
Pimentel apresentou a tese O Monopólio da Fala na
Comunidade Agro-Industrial de Delmiro Gouveia no Sertão
Alagoano, na ECO/UERJ. Neste estudo Pimentel analisa
os efeitos das telenovelas nos valores, comportamentos
e hábitos daquela comunidade.
Quem também defendeu tese de mestrado em 1980, utilizando
telenovela como tema foi Maria Célia Fortes Santos de
Bustamante. Em seu trabalho, TV e Dinâmica Familiar,
destaca o papel exercido pela televisão nas transformações
sociais e nas relações familiares. Ela aponta a telenovela
como o fator que exerce maior influência na mudança
de atitude e comportamentos.
Em 1981, J. V. Tilburg, aprofundando
a pesquisa iniciada em 1975, publica o livro O Estereótipo
Visual da Telenovela Brasileira como Mecanismo de Educação
Permanente. O autor tenta mostrar como os meios de comunicação
de massa se interrelacionam, tendo a televisão como
ponto de referência e onde a telenovela emerge como
instrumento de educação permanente.
Já Flávio Luís Porto e Silva, também
em 1981, publica um livro enfocando as manifestações
teatrais na televisão: O Teleteatro Paulista nas
Décadas de 50 e 60. Trata-se de um levantamento
da integração entre o teatro e a televisão, que resultou
em programas que marcaram época. Ele registra os seguintes
programas de forma documental: TV de Vanguarda, Grande
Teatro Tupi, TV Comédia, O Contador de Histórias, Teatro
Cacilda Becker, Teleteatro Infantil de Júlio Gouveia
e Tatiana Belinky.
Complementando o gênero de pesquisa
documental, em 1982, Ismael Fernandes publica Memória
da Telenovela Brasileira, reunindo mais de 300 títulos
de telenovelas brasileiras com um resumo da estória,
nome do autor, componentes do elenco, período e local
da exibição. O levantamento incluí desde os primeiros
trabalhos veiculados na década de 60 até os transmitidos
no final da década de 70.
Em 1983, Ondina Fachel Leal defendeu,
em Porto Alegre, uma tese de mestrado sobre A Novela
das Oito. Jane J. Sarques (1983) publicou o ensaio
A Discriminação Sexual na Telenovela: Sua Influência
sobre a Mulher Brasileira, no qual conclui que "a
novela, na medida em que legitima, de forma explícita
ou latente, os valores dominantes com os quais as telespectadoras
se identificam, concorre para mantê-las conformadas
à ordem vigente e reforçar a reprodução da ideologia
que alicerça a estrutura de dominação e discriminação"(Pág.226).
Em 1984, Artur Távola publicou o
livro O Ator, no qual analisa aspectos do trabalho
desenvolvido pelos atores na televisão, em razão da
forma de interpretação na telenovela não ser tão rígida
quanto a realizada no teatro e no cinema, permitindo
ao ator um exercício permanente de improvisação.
Enquanto Távola (1984) estudo o
ator, Samira Youssef Campedelli (1985), no livro A
Telenovela, estabelece cinco classes para ela: 1)folhetim
melodramático; 2)folhetim exótico; 3) a telenovela alternativa,
que cria o clima psicológico; 4)a telenovela chanchada;
5)a novela-verdade. Seu trabalho evidencia a estratégia
da Rede Globo no sentido de monopolização. Ela registra
que a emissora lança mão de todos os recursos de marketing
para ganhar a audiência. Campedelli traça, também uma
linha histórica da TV centrada na telenovela. Analisa,
ainda, as telenovelas de Janete Clair, detendo-se no
tipo folhetim utilizado em "O Astro".
Grã-finos na Globo, Cultura e Merchandising
nas Novelas é o título do livro de Roberto Ramos, lançado
em 1986. Neste trabalho, o autor faz uma análise detalhada
das novelas da Globo, denunciando nelas a criação preconcebida
de necessidades no público com objetivos econômicos
e políticos.
Dando continuidade ao seu interesse
pelas novelas do horário nobre, em 1986, Ondina Fachel
Leal lançou o livro A Leitura Social da Novela das
Oito, onde apresenta os resultados de uma pesquisa
realizada em dois grupos de dez famílias (classes popular
e dominante) na tentativa de identificar as diferenças
na reconstrução da realidade por elas com base nas mensagens
dos veículos de comunicação.
O trabalho mais recente sobre o
tema: As Telenovelas da Globo: Produção e Exportação
foi publicado por José Marques de Melo, em 1988. O autor
utiliza a técnica de estudo de caso e tem como tema
as produções da Globo até sua ascensão como produtora
e exportadora de programas. Descreve o desenvolvimento
da empresa, explica como se processa a produção e exportação
das telenovelas e aponta o "padrão de qualidade" como
a razão para o sucesso obtido.
2.3. ASPECTOS POLÍTICOS
2.3.1. A televisão e o Estado:
Política de Comunicação e Ideologia
Em 1970, Antônio F. Costela publicou
um livro, O Controle da Informação no Brasil,
apresentando uma análise histórico-social da liberdade
de informação no País, discutindo o uso dos instrumentos
jurídicos pela Estado no controle sobre os meios de
comunicação de massa. Aborda, também, em relação ao
setor da telerradiodifusão o Código Brasileiro de Telecomunicações
e sua aplicação dentro do nosso contexto sócio-econômico
e político. Ele analisa, ainda, as orientações políticas
do governo militar, cobrindo o período de 1964 a 1970,
no que tange ao direito de informar e de ser informado,
debatendo, inclusive, os Atos Institucionais e a portaria
referente à censura prévia baixada durante aquele período.
Luís Nogueira também fez um estudo
sobre o Código de Telecomunicações, em sua tese apresentada
na ECA/USP, em 1978: O Brasil e sua Política de Telecomunicações.
Segundo Nogueira, foi a partir da criação deste Código
(Lei No 4 .117, de 27 de agosto de 1962) que o País
passou a Ter uma política própria para o setor, que
até então era controlado por grupos estrangeiros. Além
de analisar o Código de Telecomunicações, o autor discute
as suas implicações. Outros aspectos são abordados,
também: a criação da Embratel, através do Sistema Básico
de Telecomunicações, e a constituição do Ministério
das Comunicações, no ano de 1967. Nogueira tece considerações
críticas sobre o surgimento e a estrutura das organizações
que gerem o setor das telecomunicações e seus reflexos
sociais. Ele discute o papel do Sistema de Telecomunicações
para a integração nacional, bem como este sistema passou
a ser controlado pelos governos pós-64, tratado como
área de Segurança Nacional.
O Papel do Rádio e da Tevê na
Formação da Cultura Brasileira é o título do ensaio
de R. Amaral Vieira (1978), no qual o Sistema Brasileiro
de Radiodifusão é analisado como instrumento para a
defesa dos interesses da classe dominante. Visando a
modificação deste quadro, o autor propõe que tanto o
rádio como a televisão passem a veicular conteúdos das
culturas das comunidades regionais e dos grupos minoritários,
refletindo, assim, a cultura de toda a Nação.
Hélio Soares Amaral (1980) apresenta,
em sua tese de mestrado, um estudo sobre Censura
e Televisão. Neste trabalho, ele analisa os efeitos
da censura na linguagem da televisão brasileira, que
ele identifica coimo um veículo de diversão e transmissão
de idéias do sistema político. Amaral discorre a respeito
da legislação, das pressões ideológicas, econômicas
e políticas sobre a televisão durante o período de 1974
a 1980.
Sérgio Caparelli (1980) publicou um livro, Comunicação
de Massa, constituído por ensaios sobre o nosso
sistema de comunicação de massa e suas contradições
no contexto do modelo econômico e político adotado pelo
País a partir de 1964.. Ele analisa as influências deste
modelo discutindo as diversas determinações políticas
adotadas pelo Estado sobre a televisão, inclusive a
Doutrina de Segurança.
Outro trabalho sobre a política
de telecomunicações, que destaca o envolvimento do Estado
com a televisão é o de Aloísio da Franca Rocha Filho
(1981): Comunicação de Massa e Estado: Televisão
e Política de Telecomunicações (1950-1975). O autor
estuda esse período, dando ênfase aos mecanismos de
dominação utilizados pelo Estado sobre os veículos de
comunicação de massa, principalmente a televisão. Ele
identifica o Estado como responsável pela infra-estrutura
de apoio aos meios de comunicação, ampliando assim as
relações capitalistas da produção.
Em 1981, no livro Paraíso Tropical:
A Ideologia do Civismo na TVE do Maranhão, Helena
Maria Bousquet Bomeny analisa como as aulas da disciplina
de Educação Moral e Cívica, transmitidas pela TVE do
Maranhão, projetam a ideologia do governo militar, verificando
a mudança do comportamento político dos alunos. Ela
demonstra que a televisão foi utilizada como instrumento
de transmissão dessa ideologia.
Também em 1981, no ensaio Tendências
Populistas na TV Brasileira, Luís Fernando Santoro
demonstra como a televisão foi utilizada para manter
a estabilidade do regime militar.
Em 1982, Sérgio Mattos, no livro
The Impact of the 1964 Revolution on Brazilian Television
(baseado em sua tese de mestrado defendida em 1980
na Universidade do Texas em Austin, Estados Unidos,
com o título de "The Impact of Brazilian Military
Government on the Development of TV in Brazil"),
apresenta um estudo sobre a cooptação da televisão pelos
governos pós-64, como mecanismo de divulgação da política
desenvolvimentista e da Doutrina de Segurança Nacional.
O autor descreve a evolução histórica do veículo e aponta
as maneira como ele foi usado para atender aos interesses
políticos do regime implantado no País. Neste trabalho,
Mattos evidencia, também, a influência do Estado no
desenvolvimento da televisão, conseguida através da
montagem de toda a infra-estrutura necessária ao seu
crescimento.
Maria Elvira Bonavita Federico publicou,
em 1982, o livro História da Comunicação: Rádio e
TV no Brasil, no qual reconstitui a história destes
meios desde o advento da radiodifusão. Ela analisa instituições
como Dentel, Telebrás, Embratel e Radiobrás, responsáveis
pela política, infra-estrutura, fiscalização e controle
da telerradiodifusão no Brasil. Este trabalho trata,
também, da programação das emissoras de TV e das relações
destas com a indústria eletrônica e agências de publicidade.
Em um ensaio, Hegemonia e Contra-Informação:
Por uma Práxis da Comunicação, publicado em 1982,
Anamaria Fadul introduz o conceito de luta de classes
no estudo da televisão, a partir da discussão do significado
da indústria cultural no capitalismo monopolista. Baseando-se
no conceito de hegemonia de Gramsci, a autora apresenta
os veículos de massa, principalmente a televisão, como
instrumentos de ação política.
Também em 1982, Gabriel Priolli
Netto publicou um ensaio, A TV para o bem do Brasil,
no qual realiza uma análise do desenvolvimento da televisão
e de seu envolvimento com o Estado. Salienta que este
a utiliza, visando "recobrir o País com um mesmo manto
ideológico, que permitisse a sustentação política dos
novos interesses" do regime militar. O autor, no entanto,
adverte que considerar os meios de comunicação de massa,
principalmente a televisão, como simples instrumentos
ideológicos a serviço da burguesia "é um grave erro
de análise" porque "quando se admite um controle monolítico
dos meios de comunicação, por parte de quem os detém,
aceita-se a idéia de que não é possível fazer nada em
seu interior e que as tentativas de uma ação contra-ideológica
são facilmente neutralizáveis"(Pág.107).
Priolli Netto concluí dizendo que
se deve atuar junto à sociedade no sentido de conscientizá-la
de como os meios de comunicação "podem e devem servir
a seus interesses". Para se atingir esta meta ele propõe
Algumas medidas: "desconcentração da propriedade do
capital e da tecnologia no setor do rádio e da TV, para
desconcentração geográfica da produção e do poder político,
através de conselhos comunitários de radiodifusão" (Pág.115).
Em 1985, dois ensaios voltam a tratar
da política de comunicação. O primeiro, de autoria de
Arlindo Castro (1985), TV Também é Cultura, discorre
sobre a importância e necessidade do Brasil Ter uma
política cultural que considere a televisão também como
cultura. O segundo, de autoria de Sérgio Caparelli (1985),
intitulado Política da Radiodifusão no Brasil,
estuda a legislação brasileira para o setor, abordando
suas origens, evolução e quadro atual. O autor debate,
ainda, as influências políticas e econômicas, domésticas
e estrangeiras, sobre o setor.
2.4. ASPECTOS ECONÔMICOS
Os aspectos do desenvolvimento econômico
da televisão e de sua interrelação com o sistema capitalista
do País têm sido objeto de inúmeros estudos que vêm
sendo realizados desde a década de 70. Alguns se dedicam
à análise da estrutura empresarial e industrial da televisão,
enquanto outros estudam aspectos de seu desenvolvimento
dentro do modelo capitalista dependente brasileiro.
Esta secção está, portanto, subdividida em duas parte,
que correspondem às tendências dos trabalhos selecionados.
2.4.1. A Televisão e sua estrutura
Muniz Sodré (1977), no livro O
Monopólio da Fala, além de fazer uma análise sobre
a função e a linguagem da televisão no Brasil, aponta
o desenvolvimento deste veículo, nos últimos anos, como
uma das conseqüências da ideologia do modelo nacional
de crescimento econômico importado. Segundo o autor,
os meios de comunicação de massa, principalmente a televisão,
contribuíram para estimular o consumo, em larga escala
dos bens e serviços de luxo produzidos pelo sistema
capitalista.
Em 1978, a ABEPEC – Associação Brasileira
de Pesquisadores da Comunicação, realizou um importante
levantamento, de abrangência nacional, sobre a televisão
brasileira considerando sua programação, sua estrutura
organizacional e sua dependência aos grandes centros
de produção. O levantamento foi executado por 320 pesquisadores,
de várias regiões do País, que mapearam a estrutura
de 81 emissoras de televisão e os respectivos sistemas
de funcionamento durante o período de 6 a 12 de março
de 1978.
Sobre este levantamento da ABEPEC,
José Marques de Melo escreveu dois ensaios: O Complexo
Brasileiro de Televisão (1979) e Escapismo e
Dependência na Programação da TV Brasileira (1981).No
primeiro, ele analisa as tabelas estatísticas que registram
as informações da pesquisa. No segundo, Marques de Melo
discute aspectos do conteúdo da programação da amostra
mapeada pela ABEPEC e analisa algumas das características
tecnológicas das emissoras pesquisadas.
Em 1982, José Manuel Morán concluiu
sua tese, Contradições e Perspectivas da Televisão
Brasileira, na qual a televisão aparece como um
meio de comunicação capitalista e contraditório. Sérgio
Caparelli (1982) também estuda a televisão dentro do
capitalismo dependente, no livro Televisão e Capitalismo
no Brasil. Este trabalho é uma reflexão crítica
sobre o duplo papel da televisão como agente e reflexo
da estrutura sócio-econômica, política e cultural do
Brasil. A obra está dividida em três parte: a) um ensaio
sobre a evolução da TV no Brasil; b) uma análise da
problemática referente à reprodução pela TV da ideologia
das emissoras.
A estrutura organizacional das emissoras
de televisão foi estudada, também, por Carlos Eduardo
Potsch de Carvalho e Silva (1983), numa tese de mestrado:
Estratégia Empresarial e Estrutura Organizacional nas
Emissoras de TB Brasileiras (1950-1982). O autor
pesquisou a evolução da televisão, considerando sua
estrutura organizacional e sua estratégia de crescimento
dentro do contexto econômico no período que compreende
sua implantação, em 1950, até o ano de 1982. Ele analisa
a TV como produto industrial em si, ao mesmo tempo em
que a relaciona com todo o processo de industrialização
do País.
Em 1984, José Manuel Morán publicou
o ensaio A Credibilidade dos Comerciais de Televisão,
destacando os fatores que levam um comercial de TV a
Ter credibilidade junto a sua audiência. Aliás, o sistema
comercial da TV brasileira, sua dinâmica de mercado
e perspectivas são analisadas, também, por César Ricardo
Siqueira Bolaño, em sua tese de mestrado apresentada
na Unicamp, em 1986: Mercado Brasileiro de Televisão:
Uma abordagem dinâmica.
Baseado nesta tese, Bolaño publicou,
em 1988, o livro Mercado Brasileiro de Televisão,
aprofundando a análise econômica do sistema comercial
de nossa televisão. O autor avalia "as bases sobre as
quais se assenta o sistema brasileiro de televisão comercial".
O elemento central de sua análise "e a distribuição
da verba de mídia e a luta competitiva entre as emissoras
por abocanhar uma parte desse bolo". O autor ressalta,
ainda, a "industria cultural como elemento indissociável
do desenvolvimento do Capitalismo Monopolista".
2.4.2. A Televisão como veículo
dependente
A Televisão como instrumento
do Neocapitalismo: Evidências do caso brasileiro
é o título do ensaio de José Marques
de Melo, publicado em 1979. Utilizando-se, mais uma
vez, dos dados da pesquisa realizada pela ASBEPEC (1978),
o autor analisa e demonstra a dependência tecnológica,
cultural e informativa do sistema brasileiro de televisão.
Segundo o autor "a implantação de meios de comunicação
de massa nas áreas coloniais sempre obedeceu ao imperativo
de introjectar a cultura e a ideologia do colonizador.
No caso da televisão, esse papel avultou-se pela natureza
do próprio meio e pela dependência que mantém em relação
aos países metropolitanos.
Sobre a dependência da televisão
brasileira no que se refere à programação, Joseph Straubhaar
(1981) defende o ponto de vista de que depois da implantação
da Rede Globo, a televisão brasileira passou a ter mais
autonomia e independência em relação à televisão norte-americana.
Em sua tese de doutoramento, The Transformation of
Cultural Dependence: The Decline of American Influence
on the Brazilian Television Industry, Straubhaar
discute as transformações da participação norte-americana
na estrutura empresarial e programação da televisão
brasileira.
Sérgio Mattos (1982) na sua tese
de doutoramento, Domestic and Foreign Advertising
in Television and Mass Media Growth: A Case Study of
Brazil, defendida na Universidade do Texas, EUA,
apresenta a seqüência histórica do relacionamento entre
a indústria da publicidade (doméstica e estrangeira)
e os meios de comunicação de massa, destacando a televisão
como maior veículo publicitário do Brasil. O estudo
de Mattos foi realizado considerando o contexto sócio-econômico
e político do modelo de desenvolvimento dependente adotado
pelo regime militar brasileiro. Sua análise abrange
o período de 1964 a 1982. O autor apresenta evidências
de que este contexto influenciou direta e indiretamente
o desenvolvimento da televisão e da indústria publicitária,
da qual a primeira é dependente. Os dados deste estudo
demonstram que tanto os veículos de comunicação quanto
o setor publicitário se beneficiaram, estrutural e empresarialmente,
das políticas sócio-econômicas adotadas pelo regime.
Como uma conseqüência do modelo adotado, Mattos esclarece
que houve um aumento nos gastos publicitários, além
de um rápido crescimento dos veículos de comunicação
no Brasil, principalmente a televisão.
Em 1982, o livro A Teleinvasão:
a participação estrangeira na televisão brasileira,
de Carlos Rodolfo Ávila, salienta, numa visão diacrônica,
a dependência da nossa televisão, revelando a maneira
pela qual o capital multinacional participa da TV no
Brasil, num "processo acumulativo da mais-valia tanto
material quanto ideológica".
Num ensaio intitulado O Declínio
da Influência Americana na Televisão Brasileira,
Joseph Straubbhaar (1983) aponta o aumento do total
de horas de produção nacional transmitidas pela televisão
como evidência da diminuição da influência norte-americana
neste veículo. O autor cita que além da nacionalização
dos programas, vem ocorrendo também uma situação que
ele denomina de "abrasileiramento" de conceitos norte-americanos
de direção televisiva.
Em 1983, Sérgio Mattos volta a analisar
as relações entre a indústria brasileira e dois fatores
que mais influenciaram seu crescimento: O Estado e a
indústria publicitária. A análise é feita no ensaio
intitulado Publicidade e Influência Governamental na
Televisão Brasileira. O autor detalha as mais variadas
formas desta influência, das legais às econômicas.
Emile G. McAnany (1983) discute
o conceito de dependência cultural na América Latina,
tomando a televisão brasileira como exemplo, no ensaio
intitulado: A Lógica da Indústria Cultural na América
Latina: A Indústria da Televisão no Brasil. Ele
defende o ponto de vista de que as políticas nacionais
de cultura são insuficientes para mudar o quadro desta
dependência.
Em 1984, Sérgio Mattos publicou
o artigo Advertising and Government Influences: The
Case of Brazilian Television, analisando o crescimento
da TV Globo durante os anos do regime militar até atingir
a sua atual posição de dominação. O autor argüi que
o desenvolvimento da televisão brasileira pode ser melhor
entendido se observados os fatores intervenientes nacionais
(como o desenvolvimento da indústria publicitária e
o papel desenvolvido pelos governos militares) do que
se for procurar respostas nas teorias internacionais
de imperialismo e dependência dos meios de comunicação
de massa. O autor defende, ainda, que a TV Globo cresceu
como resultado, primeiro, do rápido desenvolvimento
da economia brasileira e de sua indústria publicitária,
e, em segundo lugar, do relacionamento amigável mantido
com os governos militares.
Em 1985, José Marques de Melo publicou
o livro Para uma leitura crítica da comunicação,
abordando quatro importantes aspectos da comunicação:
1) a questão da leitura; 2) a relação entre televisão,
poder e dependência cultural; 3) considerações sobre
a imprensa, jornalismo e relações públicas; 4) a posição
da Igreja frente à comunicação.
2.5. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Nesta secção estão os estudos sobre televisão
que não tendo sido incluídos nos quatro grandes grupos
foram analisados à luz dos seguintes temas: 1)Audiência
e televisão; 2) Educação, satélite e televisão; 3) Cinema,
literatura e televisão.
2.5.1. Audiência e televisão
Em 1975, a Secretaria de Agricultura
do Estado de São Paulo publicou o estudo realizado por
Heli Correa e Antônio de Almeida Ramos: Pesquisa
de Audiência de R
Rádio e Televisão e de Leitura
de Jornais e Revistas. Este trabalho tinha como
objetivo conhecer os hábitos dos agricultores em relação
ao rádio, televisão, jornais e revistas.
Em 1984, José Marques de Melo publicou
um artigo, As Pesquisas de Audiência na Televisão Brasileira,
no qual tece comentários sobre as pesquisas de audiência
e opinião pública nas empresas de televisão. Outro estudo
que trata dos índices de audiência é o de César Ricardo
Siqueira Bolaño, em 1987: A Questão do Público de
TV no Brasil: Reflexões sobre a Pesquisa Lintas.
Ele analisa uma pesquisa da Marplan nos oito maiores
mercados consumidores do País e constata um dado considerado
como fundamental: "88% dos lares das classes D e E (critérios
ABA) possuem aparelho de televisão. Na classe C esta
porcentagem se eleva para 90%. Isto num país onde as
classes A e B (menos de 25% da população) são responsáveis
por mais de 88% do consumo".
2.5.2. Educação, satélite e televisão
Em 1967, William A Herzog Jr. Escreveu
um trabalho, The Utilization of Radio and Television
for Adult Education in Brazil, no qual trabalha
a problemática dos programas de educação de adultos
através da mídia eletrônica que estavam sendo desenvolvidos
no ano de 1967 e chega a uma série de conclusões. Entre
elas a de que, no Brasil, os fatores políticos desempenham
um papel muito importante na continuidade ou interrupção
dos programas de alfabetização e educação suplementar
através dos veículos eletrônicos, principalmente a televisão.
Em 1980, Odilon Belém, em sua tese
de mestrado A TVE de Gilson Amado e Carneiro Leão,
discorre sobre a implantação e aproveitamento da televisão
educativa no Brasil. Ele considera as vantagens da televisão
sobre o rádio, realizando um levantamento da programação
da TVE do Rio desde a sua fundação.
Luís Fernando Santoro (1980) desenvolveu
algumas reflexões sobre O Rádio e a Televisão como
objetos de ensino. O autor sugere diretrizes para
a execução de projetos que utilizem os veículos de comunicação
de massa com objetivo precípuo de formar a consciência
crítica dos receptores.
Emile McAnany e João Batista de
Oliveira realizaram, em 1981, uma avaliação das experiências
do projeto SACI/EXERN, respectivamente em São José dos
Campos-SP, e em Natal-RN, que utilizaram tecnologias
educacionais através de satélites artificiais de comunicação.
O relatório apresenta a reconstituição histórica do
projeto.
Luís Navarro de Brito publicou,
em 1981, o livro Teleducação - O uso de satélites:
política, poder, direito, que trata do uso de satélites
artificiais de comunicação com fins educativos. O autor
apresenta um levantamento da regulamentação jurídica
das telecomunicações educativas e discute a problemática
que envolve a cooperação internacional neste setor.
Em 1984, Matias José Ribeiro publicou
um ensaio sobre a utilização de satélites artificiais
para a transmissão direta de programas televisivos:
Os Satélites vão levar todas as tevês do mundo para
sua casa.
Maurício Gabriel Lotar Júnior (1984),
por sua vez, trabalhou O Computador e a Televisão
como recursos no processo ensino - aprendizagem.
Este foi o tema de sua tese de mestrado, cujo principal
objetivo era verificar todas as possibilidades de utilização
das tecnologias disponíveis para fins de educação.
2.5.3. Cinema, literatura e televisão
O Cinema frente
à TV é
o título do livro de Luís Espinhal (1981) que desenvolve
um estudo comparativo das linguagens cinematográficas
e televisivas sob três aspectos: a realidade, a imagem
e o espectador. Como anexo de seu estudo, Espinhal apresenta
um glossário do vocabulário televisivo.
Lucrécia D’Aléssio
Ferrara, no livro Da Literatura à Tevê, apresenta
um estudo de três textos literários que foram adaptados
para utilização na televisão. Ela se concentra na análise
de dois aspectos: a seleção do material e a transformação
do material literário ao ser adaptado. A autora considerou,
na análise dos textos, a estrutura da linguagem e se
a produção situou ou não o texto historicamente.
Em 1983, Doc
Comparado no livro, Roteiro: Arte e Técnica de Escrever
para Cinema e Televisão, apresenta, com detalhes,
todas as etapas necessárias para a produção de um roteiro.
O autor explica as diferenças entre um script
para televisão e cinema e, didaticamente, orienta os
passos a serem seguidos no sentido de se fazer a adaptação
de um romance para cinema ou vídeo.
Vera Irís Paternostro
(1987) publicou o trabalho intitulado O Texto na
TV: Manual de Telejornalismo que se caracteriza
como um livro didático. Em sua primeira parte a autora
apresenta uma síntese da história da televisão, no Brasil
e no mundo, do ponto de vista tecnológico, classificando
a evolução deste veículo sob três aspectos: TV ao vivo,
revolução do videoteipe e produção independente. Na
Segunda parte do livro a autora orienta como proceder
para escrever textos para a televisão.
No ano de 1990, publicado
também pela Editora Brasiliense, surgiu mais um livro
didático nesta área: Aprender Telejornalismo: Produção
e Técnica, de autoria de Sebastião Squirra. Neste
livro Squirra, utilizando-se de sua experiência prática
como jornalista de televisão e professor da área, esboça
as principais linhas necessárias ao aprendizado e à
prática do telejornalismo. Em síntese, neste livro,
dividido em duas partes – processo e técnica – o autor
apresenta alternativas didáticas e profissionalizantes
para a produção de entrevistas, reportagens, edição
e apresentação das telenotícias, fornecendo ainda noções
técnicas sobre a imagem, a câmara eletrônica, linguagem,
iluminação e sonoplastia.
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