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Questionamentos
Numa entrevista concedida
à revista Veja, Peter Arnett afirma que "a imprensa
deve ser livre, mas deve também ser responsável, e a
maior responsabilidade do jornalista é sair atrás da
notícia. Nós somos como os soldados; não podemos sair
de um lugar porque ele se tornou perigoso. Nós temos
uma obrigação primordial de informar aos leitores e
quem informa é o repórter. Se ele sai de perto da notícia,
o mais provável é que o leitor seja mais facilmente
manipulado." (33)
Concluindo, gostaria
de formular alguns questionamentos para reflexão:
1 - Se os correspondentes
de guerra só têm permissão para escrever aquilo que
o Exército deseja, não seria mais fácil e menos doloroso
que os exércitos adotassem uma postura semelhante à
que os Estados Unidos adotaram na invasão de Granada?
Na intervenção de Granada todas as imagens e textos
publicados foram produzidos diretamente pelos militares.
2 - Quando a divulgação
dos fatos for contrária aos interesses nacionais, como
deve agir um correspondente de guerra? Como deve o jornalista
noticiá-la?
3- Os correspondentes
de guerra deveriam estar preparados para desafiar a
censura militar e contestar as falsas informações transmitidas
ao público leitor? De que forma?
4 - Por que os correspondentes
não tentam avaliar se a intervenção, seja ela qual for,
é justificável ou não? Se seus objetivos são viáveis
ou não? Seria isto possível diante do interesse político,
ideológico ou econômico por trás de todas as guerras?
5 - Qual é a validade
da propaganda de guerra que leva os militares a odiarem
o inimigo e as populações civis a ficarem horrorizadas
com as atrocidades cometidas? Que garantia têm os consumidores
das mídias impressa e eletrônica de que tais fatos são
reais, tendo em vista que desde a Primeira Guerra muitas
das atrocidades atribuídas ao inimigo estão sendo esclarecidas
como mentirosas?
6- Será que a censura
na divulgação de baixas, equipa mentos, locomoção de
tropas e outros fatos impedirá o inimigo de ter acesso
a esses dados?
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