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Primeira
Guerra Mundial (1914-1918)
A
Primeira Guerra Mundial deveria assinalar, pelo menos
no desejo de Lord Kitchner, ministro da Guerra da Inglaterra,
o fim dos correspondentes: "Esta maldita imprensa não
vai fazer coisa alguma até esta guerra acabar",
desabafava com freqüência. Para impedir o desempenho
da imprensa, ele contava com o apoio do ministro da
Marinha, que dizia que nos navios de guerra não havia
lugar para jornalistas.
A
mobilização social em massa provocou uma insaciável
procura por notícias da guerra. Todos queriam saber
o que se passava e a vendagem dos jornais poderia assegurar
grandes lucros aos proprietários. Devido ao forte interesse
de ambos, dos proprietários e dos leitores, os chamados
"Barões da Imprensa" convenceram Lord Kitchner a aceitar
um pequeno grupo de seis correspondentes no front
ocidental. (11)
Os
seis correspondentes, selecionados a dedo pelo Ministério
da Guerra, que só assim tinha a certeza de que eles
saberiam se comportar, foram alojados fora do alcance
do perigo. Todos os dias a rotina era a mesma.. logo
após o café da manhã eles eram levados a certos trechos
e trincheiras previamente selecionados. Sempre acompanhados
por altos oficiais, eles retornavam ao hotel na hora
do chá, quando então escreviam suas matérias e as submetiam
aos censores.
"Para
possibilitar o prosseguimento da guerra, as pessoas
tinham de ser preparadas para novos sacrifícios e isso
não poderia ser feito sem se conhecer a história completa
do que estava acontecendo na frente ocidental. E assim
começou uma grande conspiração. Foram mais mentiras
deliberadas do que em qualquer outro período da história,
e todo o aparato c Estado entrou em ação para suprimir
a verdade.
Na
Grã-Bretanha, sob o Decreto de Defesa do Reino foi criado
um sistema de censura tão severo que seu legado estende-se
até hoje. A boa vontade dos proprietários de jornal
na aceitação desse controle e sua cooperação na disseminação
da propaganda, trouxe-lhes a recompensa do status
social e do poder político. Mas também minou a confiança
do público na imprensa". (12)
O
criador da correspondência de guerra, William Howard
Russell, indignado com o que acontecia com o jornalismo,
fez inúmeros pronunciamentos contra a censura que estava
transformando a imprensa numa simples crônica do poder
dos generais. Naquele período, a imprensa, principalmente
a inglesa, não apenas deixou de registrar a verdade,
mas disse uma grande mentira sobre si própria.
No
front, as comunicações eram boas e os jornais,
censurados naturalmente, podiam ser lidos tanto nas
trincheiras como nas cidades e, pela primeira vez, os
soldados e os homens comuns podiam perceber que os jornais
mentiam. Historiadores que analisaram os efeitos da
Primeira Guerra Mundial consideraram que a cobertura
da guerra foi decisiva no desenvolvimento do respeito
do público pela imprensa. Pela primeira vez se levantavam
dúvidas sobre o conteúdo dos jornais.
Mas
a censura não existia apenas na Inglaterra. No começo
da guerra, os alemães também exerceram severa censura
não permitindo que nenhum correspondente fosse ao front.
As notícias para consumo interno sofriam as mesmas
relações que os ingleses determinavam às suas.
Durante
a Primeira Guerra surgiu, também, o correspondente neutro,
que era proveniente de países não-envolvidos no conflito.
Os americanos mantinham 90 correspondentes. A estes,
os alemães permitiam que fossem até o front e
eles conseguiam repassar suas reportagens dias antes
de seus colegas no lado francês ou inglês. Os franceses
não davam tratamento diferenciado aos correspondentes.
Todos eram iguais.
Os
países envolvidos na guerra exerceram a censura, de
maneiras diferentes, mas a exerceram. Dos correspondentes
americanos, por exemplo, era exigido um juramento, feito
na presença do secretário da Guerra, no sentido de transmitir
sempre a verdade ao povo dos Estados Unidos, mas que
suprimiriam qualquer fato que pudesse ajudar o inimigo.
Os
alemães, por sua vez, escondiam do público interno as
baixas que sofriam, minimizavam os efeitos da intervenção
americana entre outros fatos que, no final da guerra,
a população se sentiu iludida e traída.
As
lições deixadas pela Primeira Guerra Mundial contribuíram
para o surgimento de um novo estilo a ser adotado pelos
correspondentes. Eles acreditavam que "o público deveria
ser informado de todas as facetas da luta e seus efeitos
sobre o indivíduo. O objetivo do correspondente, em
um novo estilo, era noticiar com verdade e objetividade".
(13)
Com
o fim da Primeira Guerra, os jornalistas chegaram à
conclusão que "a verdade é, tradicionalmente, a primeira
vítima da guerra".
Entre
a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, dois outros conflitos
requisitaram os trabalhos dos correspondentes: a Guerra
da Abissínia (1935-36) e a Guerra Civil Espanhola (1936-39).
Durante esse período, o jornalismo popular se desenvolveu
juntamente com o jornalismo cinematográfico.
Nos
dois conflitos, a censura também foi utilizada. No caso
da Abissínia, o que chamou a atenção dos historiadores
foi o fato de que o Ministério da Imprensa e da Propaganda,
em Roma - Itália- , que sabia como manipular a imprensa,
queria credenciar correspondentes de guerra, enquanto
o Exército queria distância dos mesmos. Apesar das indecisões,
os correspondentes conseguiram trabalhar, cobrindo tanto
do lado de Heilé Selassié como do lado dos italianos.
No
caso da Guerra Civil Espanhola. uma guerra que provocou
muita emoção e um partidarismo exagerado a tal ponto
que levou os correspondentes a comprometerem-se com
paixão, uns defendiam a causa do governo republicano,
outros os nacionalistas de Franco. Dois dos correspondentes
mais famosos da Guerra Espanhola foram Ernest Hemingway
e John dos Passos. Vale salientar que foi baseado em
sua experiência da guerra e no que deixou de transmitir
como correspondente que Hemingway escreveu o romance
"Por Quem os Sinos Dobram".
A
Guerra Espanhola envolveu tanta emoção e paixão a mesmo
tempo que Herbert Matthews. do New York Time, fez a
seguinte reflexão sobre o dever dos correspondente de
guerra e a ética jornalística:
"Sempre
senti a falsidade e a hipocrisia daqueles que se proclamavam
sem partidarismos e a tolice, para não dizer estupidez,
dos editores e leitores de jornal que pedem objetividade
ou imparcialidade dos correspondentes de guerra (...)
Ao se condenar o partidarismo, rejeitam-se os únicos
fatores realmente importantes - a honestidade, a compreensão
a meticulosidade. O leitor tem o direito de pedir todos
os fatos; não tem nenhum direito é de exigir que um
jornalista ou historiador esteja e acordo com ele".
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