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ANEXO
II
Manifestações
contra a censura
Durante
o ano de 1972 inúmeras foram as manifestações, denunciando
a falta a liberdade de imprensa, principalmente nas
Américas. O relatório da SIP- Sociedade Interamericana
de Imprensa, para o período 1971/1972, por exemplo denunciava
que "O Brasil e a Guatemala mantém tantas restrições
legais sobre a imprensa que não é possível incluir esses
países entre aqueles em que existe liberdade de imprensa."
Contudo, o relatório da SIP revelava ainda que a liberdade
de imprensa já era uma realidade em alguns países da
América do Sul, tais como a Argentina, apesar das dificuldades
econômicas enfrentadas pelos jornais.
Vale
reproduzir também uma notícia veiculada pelo Diário
de Notícias, matutino baiano já desaparecido, sobre
as denúncias feitas pela AII. Sob o título "Liberdade
de Imprensa é uma grande ficção no Continente", o DN
publicou o seguinte texto:
"A
Associação Interamericana de Imprensa protestou ontem(
01-02-1972) contra as ameaças que atingem a liberdade
de expressão na América Latina, além dos processos tradicionais
para atentar contra esse direito fundamental, "percebe-se
agora novas formas de coação", segundo a AII.
Em
seu primeiro informe como presidente da Comissão de
Liberdade de Imprensa da AII, Germin Ornes, do jornal
El Caribe, de São Domingos, admitiu que infelizmente
não podia mostrar otimismo pelas novidades registradas
desde que foi designado para o cargo na Assembléia Geral
da AII, em outubro de 1971, em Chicago.
O
jornalista dominicano afirmou que "os novos métodos
para suprimir ou restringir a liberdade de imprensa
não substituíram totalmente os antigos" e acrescentou
que a censura prévia, o confisco de empresas jornalísticas
e a prisão de editores e redatores ainda são empregados,
quando falham os processos mais sutis.
O
informe sobre o Estado da Imprensa no hemisfério foi
o tema central das deliberações da Comissão Executiva
e do Conselho Consultivo da AII, que encerraram ontem
dois dias de sessões.
Ornes
salientou que a imprensa "em muito poucas nações americanas
funciona sem obstáculos ou é realmente livre, independente
e responsável". O documento afirma que Cuba e Haiti
"mantem a infamante restrição de serem os pontos negros
no mapa jornalístico americano, enquanto o Panamá e
o Paraguai os seguem de muito perto."
Dentre
as inúmeras denúncias, publicadas na imprensa brasileira
contra a censura, no ano de 1972, destaca-se um editorial
publicado pelo Estado de S. Paulo.
Editorial
do Estadão
O
jornal Estado de S. Paulo, com o título de "Motivos
para o pessimismo" publicou, no dia 18 de fevereiro
de 1972, um editorial, do qual transcrevemos abaixo
os trechos mais importantes:
"Há
vários anos que os relatórios sobre a situação da imprensa
no Brasil fecham os informes apresentados nas reuniões
da Associação Interamericana de Imprensa com a mesma
conclusão: a inexistência de alterações no panorama
geral. A conclusão é melancólica. Tudo permanece na
mesma não porque o País viva sob um regime de liberdade
de imprensa, mas pela simples razão de que não há liberdade
de imprensa, nem esperança de qualquer melhoria.
O
clima geral - não só pela vigência de instrumentos legais
incompatíveis com a liberdade de expressão como pelas
conseqüência das instruções baixadas a respeito e do
comportamento das autoridades- não é realmente propício
às mudanças desejadas por todos os jornalistas que procuram
honrar a profissão escolhida. E os resultados desse
estado de coisas manifestam-se em todos os níveis. Mais
de uma vez analizamos, por exemplo, nestas colunas,
a estranhíssima situação criada na Bahia pela perseguição
sistemática movida pelo governador daquele Estado ao
Jornal da Bahia. Essa batalha entre forças desiguais
- um jornal desejoso de sobreviver com dignidade e um
governador empenhado em destruí-lo - parece aproximar-se
de um desenlace que confirmará nossas apreensões quanto
ao futuro da imprensa brasileira e aos efeitos da conduta
arbitrária de personalidades políticas que, perante
a opinião pública, surgem como representantes do Poder
Central.(...)
(...)Somente
não compreendemos que as autoridades da República não
se apercebam dos efeitos que episódios como o do Jornal
da Bahia produzem no exterior, num momento em que
o Governo Federal desenvolve um esforço tenaz para melhorar
a imagem do País além das fronteiras. Quando o próprio
Salvador Allende - apesar da linha inflexivelmente marxista
de sua administração- procura contemporizar e garante,
agora, a vigência no Chile, de uma plena liberdade de
expressão, é um perfeito absurdo que no Brasil - onde
o respeito pela livre iniciativa teoricamente, sempre
foi apresentado como princípio da filosofia oficial-
a imprensa receba um tratamento tão carregado de rancor.
Seria fácil alegar que o caso do Jornal da Bahia
é excepcional. Infelizmente, a verdade é bem outra.
Até nos confins da Amazônia a imprensa está sendo vítima
de perseguições. Em ato arbitrário, o governador de
Rondônia acaba de ordenar o fechamento do jornal O
Combate, editado em Porto Velho. Como ser otimista,
se tais coisas podem acontecer no Brasil?"
XXX
XXX XXX
Bispo
defende a liberdade
Alguns
dias antes da publicação do editorial do Estadão,
a Tribuna da Bahia , na edição do dia 29 de janeiro
de 1972, veiculou reportagem, reproduzindo a opinião
de D. Lucas Moreira Neves sobre a liberdade de imprensa.
Sob o título "Bispo defende a liberdade de imprensa"
a TB reproduziu o seguinte texto:
"Ao
substituir o arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, na alocução
pela rádio Nove de Julho, o bispo auxiliar D. Lucas
Moreira Neves disse que "o atributo mais essencial da
imprensa é inegavelmente sua liberdade. Perdida esta,
pouco importa que seja perfeitamente literária ou graficamente,
a imprensa é negada no seu próprio ser".
A
alocução de Dom Lucas Moreira Neves tratou da imprensa,
porque hoje se comemora o dia de São Francisco de Salles,
o padroeiro dos jornalistas. A igreja de São Francisco
de Salles, na Vila Gumercindo, celebra hoje uma missa
em ação de graças.
Num
trecho de sua alocução, o bispo auxiliar diz que "muitas
vezes pela voz do Papa, a Igreja falou da imprensa.
Dois aspectos fundamentais aparecem constantemente em
sua palavra: a atitude que os católicos devem tomar
diante da imprensa em geral e a existência de uma imprensa
católica com a missão específica de animar a vida íntima
da comunidade eclesial: fazer circular idéias, apertar
e fortalecer os vínculos de afeição, ensinar.
Explicou
que a imprensa tem que promover a cultura "não no sentido
bastante difundido, mas superficial de certo verniz
de ciência ou erudição. Cultura no sentido profundo
de cultivo dos valores essenciais do homem, de desabrochamento
de cada pessoa, de crescimento de todo o homem até sua
plena estatura humana. Assim entendida, a cultura é
realmente algo de primordial em toda a civilização.
Dá o tom e a medida do humanismo".
Frizou
que quando um órgão de imprensa usa o sensacionalismo
como forma de impacto e base de sucesso, quando para
obter isso não se importa com valores tão preciosos
como a verdade, honra, dignidade, respeito ao outro,
compostura, este órgão já se degradou e não merece o
nome de Imprensa".
-
Não sei - prosseguiu - se é mais pena ou indignação,
inquietação quanto ao presente ou medo do futuro, que
se deve sentir quando se vê nas manhãs de São Paulo
ou do Rio Grande, levas de operários, muitos apenas
saídos da infância, que talvez tenham tomado em casa
um café-da-manhã bem magro e escasso, mas agora a caminho
do trabalho, devoram com sofreguidão bocados de escândalo
e abjeção, de traições e adultérios, de irresponsabilidade,
de ódio e de violência. Temo pela cultura integral de
um povo que, na porção mais numerosa e indefesa de si
própria, que se intoxica dia após dia, se envenena aos
poucos com manchetes escandalosas e "notícias" de sensação
e mentira.
Dom
Lucas Moreira Neves diz ainda que a Igreja tem defendido
a liberdade de imprensa porque informar é ser informado,
intercambiar opiniões livremente, é um direito inalienável
de todo homem em sociedade. Essa liberdade é o pulmão
de uma comunidade ou de um povo: respiração de sua vida.
É tão sagrada, que ninguém tem o poder de violentá-la,
cerceá-la ou suprimi-la por um interesse pessoal ou
de grupo, em benefício de uma agremiação ou partido,
em nome de uma ideologia ou de uma corrente de pensamento,
para debelar problemas ou domar o legítimo entrechoque
de idéias".
-
Só a defesa do bem comum- acrescentou- em seu sentido
mais alto e profundo e a manutenção da justiça e paz,
proteção da cultura e ao esforço honesto de crescimento
do homem podem requerer e até exigir que os responsáveis
pelo bem comum ponham limites ao exercício daquela liberdade.
Explicou
que "é uma pesada responsabilidade que um chefe assume
quando coíbe o livre exercício da imprensa. Ele pode
estar silenciando os mais legítimos direitos de uma
comunidade humana. Criando e alimentando clamorosas
situações de injustiça, asfixiando a vida. Esse é um
terrível compromisso com o futuro, com a história, que
só se toma com infinito cuidado, em circunstâncias definidas,
pelo tempo necessário."
INTRODUÇÃO
/OS
INSTRUMENTOS DE CONTROLE DOS MEIOS
/ O CONTROLE POLÍTICO E ECONÔMICO /
A CENSURA POLICIAL / O
DESENVOLVIMENTO DOS MEIOS
DE COMUNICAÇÃO / CONCLUSÕES
ANEXOS:
I. Uma
Carta para a Imprensa Livre II.
Manifestações contra a censura
III. Código de ética dos
jornais e dos jornalistas IV .Código de ética da radiodifusão
BIBLIOGRAFIA
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