Já Não Canto, Choro

 

O Poeta e seu Tradutor

     Fred P. Ellison
(Professor do Departamento de Espanhol
e Português da Universidade do Texas,
em Austin, USA)

Uma das alegrias de estar na seção Luso-brasileira do nosso Departamento vem do fato de que Portugueses e Brasileiros no Campus, especialmente os brasileiros, muitas vezes tendem a gravitar por lá, talvez para matar saudade, num ambiente onde sua língua mãe e valores culturais são especialmente apreciados. Foi desta forma que encontramos o jovem poeta Sérgio Mattos dois anos atrás, quando ele veio para Autin a fim de realizar o doutorado no campo das Comunicações. Saliente-se que ele nos descobriu e nós descobrimos ele. Através de seus poemas, recitados em nossas salas de aulas ou para audiências maiores, como aconteceu durante a nossa recente Semana de Cultura Brasileira, na qual foram apresentados trabalhos de reconhecidos poetas brasileiros. Além de contribuir para aumentar o interesse de todos pela poesia brasileira, Sérgio Mattos também estimulou outros a traduzirem seus próprios poemas. Especificamente, estimulou Albert G. Bork, um reconhecido e respeitado tradutor de Oswald de Andrade, membro do nosso Departamento de Português, a realizar esta tarefa. Graças ao conhecimento da língua portuguesa, Bork é a pessoa ideal para realizar a criativa tarefa de traduzir os poemas de Mattos para o inglês. Suas versões dos poemas originais são mais do que iluminadas e adequadas a estarem vis-a-vis nas páginas deste livro.

Embora os poemas sigam uma tradição de liberdade quanto a métrica, rima e forma, em sua essência e simplicidade, eles estão bem próximos do ritmo coloquial do português brasileiro. Albert G. Bork encontrou uma forma semelhante no inglês para as traduções.

Os poemas falam de amor, de solidão, da perplexidade dos jovens diante do mundo, e finalmente, sobre a própria poesia. A poesia de Sérgio Mattos é suave, mas, em "Poética" ele diz : ""Na vida poética nenhuma preguiça ou inércia pode haver..." ou , poderíamos dizer de outra maneira: nestes vinte e dois poemas existe um memorável senso de força interior e de integridade.

Finalmente, este livro bilingüe, lindamente criado por Sérgio Mattos e simetricamente complementado pelas traduções de Albert Bork, reflete uma verdadeira simbiose de espíritos.

 


 

SOBRE O AUTOR E O TRADUTOR

SÉRGIO MATTOS nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1948. A maior parte de sua formação foi em Salvador, Bahia, onde cursou inclusive a Universidade Federal da Bahia. Terminou recentemente um mestrado no Departamento de Radio, televisão e Filmes da Universidade do Texas, em Austin. A Tese trata do desenvolvimento da televisão no Brasil. É membro do corpo docente da Universidade Federal da Bahia.
Foi co-fundador da revista de poesia Experimental, na Bahia. Em sua produção poética encontram-se os livros: Nas Teias do Mundo (1973), O Vigia do Tempo (1977), que foi traduzido para o inglês, Time’s Sentinel (1979), por Maria Luisa Nunes. Parte de sua obra tem aparecido em suplementos e revistas literárias e em antologias como Cinco Poetas Contemporâneos(1974) e Retina (1975).


ALBERT G. BORK
nasceu na cidade do México, D.F., em 1946. Está preparando uma tese sobre o romance Doramundo do autor brasileiro Geraldo Ferraz. Ele tem ensinado português, espanhol e francês nas Universidade do Texas, Nebraska e Iowa. É interprete e tradutor.
Suas traduções incluem duas novelas de Oswald de Andrade: Memórias Sentimentais de João Miramar (Sentimental Memoirs of John Seaborne), com Ralpf W. Niebuhr e Serafim Ponte Grande (Seraphim Grosse Pointe), juntamente com K.D.Jackson.


ÍNDICE

O Poeta e seu Tradutor / Que Mundo é Este / Poema de Três Atos / Tropeços / Sufocado / A Solidão ou o Espírito do Mal? / Quando a Poeira Assentar / Ai Que Saudade / O Espelho e o Vapor / Poética / Palavra Animada / Procura / Domingo / Pedra dos Pássaros / Sonho Encantado / Epitáfio / O Despertar do Futuro / Asas Para Amar / O Sentir e o Apalpar / A Posse / Perdão Amor / Solidão / Exorcismo / Sobre o Autor e o Tradutor