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Televisão e as Políticas Regionais de Comunicação(*)
Adelmo Borges
O videoclipe é uma experiência
contemporânea que abre novos horizontes de expectativa,
desnudando a perenidade do que usualmente denominamos de "real".
Sua fluidez e dinamismo permitem não só uma
partilha imagética dentro de uma "aldeia global",
como o espelhamento de nossas tradições. Esta
é uma das idéias desenvolvidas pelo professor
da Faculdade de Comunicação da UFBA, Jeder Janotti
Júnior, no texto "O videoclipe como forma de experiência
estética na comunicação contemporânea".
O trabalho está publicado no livro A Televisão
e as Políticas Regionais de Comunicação,
que compõem a coleção GTs da Intercom
(Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação),
que está completando 20 anos.
Produzido pelo GT de Televisão,
coordenado e editado pelo professor doutor da Facom-UFBA ,
Sérgio Mattos, editor de A TARDE Municípios
e A TARE Rural, o livro pontua uma série de aspectos
referentes às políticas de comunicação
do Mercosul. As novas produções televisivas
e análises sobre a influência da televisão
na cultura contemporânea.
Voltando à análise sobre
o videoclipe, o professor Janotti ressalta que é um
formato recente dentro da história da música
e da televisão. Sua aparição provocou
uma reformulação nas formas e sentidos da produção
cultural contemporânea, pois não tem necessidade
de se apegar aos esquemas narrativos tradicionais que caracterizam
os formatos clássicos do cinema, nem necessidade de
contar uma história com começo , meio e fim.
A sua forma de ser é anárquica, sem cânones,
sem padrões pré-definidos,
O videoclipe acabou influenciando outros
tipos de produção dentro da televisão,
sendo inclusive um importante canal difusor de idéias,
canções e criatividade. Sua lógica interna
é de uma radicalidade tão grande que algumas
produções deixam o espectador confuso, desnorteado,
como um soco no estômago. Às vezes a música
não tem nem tanta força e beleza, mas as imagens
conseguem realça-la, tornando-a mais atrativa e interessante.
O livro traz ainda uma pesquisa coordenadora
pelo professor da UFBA, Othon Jambeiro, em que aborda a questão
da regulamentação da TV através de um
comparativo entre o Brasil e o Uruguai. Os pesquisadores chegaram
a algumas conclusões provisórias, dentre elas
a de que tanto o código de telecomunicações
quanto a regulamentação da radiodifusão
estabelecem que a emissoras têm a finalidade precípua
de transmitir uma programação educativa e cultural.
Esta determinação não é cumprida
pela emissoras e o governo não desenvolve ações
para fazer a lei ser obedecida.
Como em geral as concessões no
Brasil seguem critérios políticos, há
uma predominância na programação das emissoras
de rádio e TV de conteúdos políticos
e comerciais. Já no Uruguai, a lei sobre o assunto
é vaga, não determina explicitamente a finalidade
maior do sistema de rádio e televisão.
Concluem também que o sistema não
permite o controle democrático da programação
por parte da saciedade e que o governo tem permitido que as
emissoras explorem o sensacionalismo e o sexo, tendo inclusive
firmado convênio autorizando-as a utilizar as cinco
horas destinadas a programas educacionais na veiculação
de anúncios promocionais das atividades do governo.
O estudo ressalta também que nos
dois países a regulamentação sobre o
controle de propriedade das empresas concessionárias
de canais de radiodifusão são falhos, pois permite
que famílias e grupos econômicos criem monopólios
e oligopólios no setor. Chega-se à conclusão
geral de que as regulamentações dos dois países
está desatualizada, principalmente em relação
aos novos desafios criados a partir da implantação
do Mercosul.
O livro traz ainda outras análises
sobre televisão, com dois estudos de caso feitos por
pesquisadores em Comunicação de São Paulo
e também um estudo sobre a TV aberta no Mercosul. Há
ainda um interessante texto sobre o papel desempenhado na
sociedade brasileira pela Igreja Universal, que possui a terceira
rede de televisão do País., A mestranda da PUC/SP,
Penha Rocha, desenvolve a idéia de que a igreja do
bispo Edir Macedo utiliza-se da prática medieval quiliástica,
que pregava a revolução do prazer, da busca
pela satisfação aqui e agora. O estudo trata
ainda dos escândalos envolvendo a Igreja Universal,
e também fornece dados sobre a expansão vertiginosa
da igreja através dos meios de comunicação.
Para quem se interessa pelos problemas e desafios da televisão,
o livro é uma boa pedida.
(*) Sérgio Mattos
é, desde 1994, coordenador do Grupo de Trabalho de
Televisão da INTERCOM Sociedade Brasileira de
Estudos Interdisciplinares da Comunicação, que
promove anualmente o Congresso Brasileiro de Ciências
da Comunicação. Na condição de
coordenador do GT de TV ele selecionou, editou e organizou
este livro, dando mais uma contribuição ao setor
dos estudos acadêmicos da comunicação.
Adelmo Borges, jornalista
e mestre em comunicação.
Resenha publicada em A TARDE Cultural, dia 02 de agosto
de 1997, sob o título de "Televisão: Desafios
no horizonte".
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