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Um
Perfil da TV Brasileira
Washington de Souza Filho
A televisão é
o mais contemporâneo dos meios de comunicação,
uma condição que a transformou em foco constante
de diversos estudos. Este ano de 90, em particular no Brasil,
o desenvolvimento dos trabalhos está relacionado a
um aspecto: a comemoração dos 40 anos de sua
implantação no País, que transcorreu
em setembro.
O trabalho do professor
Sérgio Mattos Um Perfil da TV Brasileira(40
anos de história: 1950-1990) está relacionado
a esse aspecto. Jornalista, doutor em Comunicação
e chefe do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação
da Universidade Federal da Bahia, ele converteu a experiência
de diversos estudos na área e a realização
de uma pesquisa conjunta com especialistas mexicanos em uma
boa referência para o desenvolvimento de trabalhos sobre
a televisão.
A realização
da pesquisa conjunta, com o apoio de instituições
do Brasil e do México, foi ponto de partida do trabalho
do professor Sérgio. É uma situação
definida pelo autor, desde a apresentação: a
pesquisa com os mexicanos tem a finalidade de buscar uma compreensão
global da Comunicação Social nos dois países,
através de subsistemas.
Esse tipo de apoio estabeleceu
para o trabalho uma condição, também
esclarecida pelo autor a de ser "de caráter
eminentemente descritivo e fundamentado no conhecimento existente".
A experiência de Sérgio Mattos, na realização
de estudos na área, permitiu delinear um texto que
estrutura a reconstrução da história
da tevê brasileira em duas partes.
A primeira parte, factual,
se desenvolve em um prisma histórico, estabelecendo
um referencial para a compreensão do valor alcançado
pelo veículo no Brasil. Em 40 anos a televisão
construiu um passado que a colocou no presente como o meio
que tem mais perspectiva para o futuro.
O que ocorreu no País
estabelece a necessidade de uma maior participação
da sociedade no controle desse meio, transformado em uma espécie
de senhor de todas as vontades dos telespectadores, por deferência
de um elemento (programação) e em busca de um
objetivo ( a audiência, que é reproduzida em
mais retorno da publicidade, forma de sustentação
absoluta da televisão).
A outra parte é
do ponto de vista dois estudiosos (ou pretendentes) do setor
o ais interessante. A partir dos trabalhos desenvolvidos e
conhecidos, o autor apresenta a relação deles
com a história da tevê brasileira e o contexto
de cada um.
O conjunto do relato,
nessa Segunda parte, é um painel demonstrativo do que
pôde e foi desenvolvido Em pouco tempo, a televisão
com o reforço do que representava o interesse
do regime militar, apoiado pela Ideologia da Segurança
Nacional se transformou em maior exemplo da indústria
cultural. A expansão foi garantida com investimentos
do Estado na implantação de uma rede nacional
de telecomunicações ao contrário
do ocorrido em outros países, com sistemas que Brasil
tentou (tenta)copiar.
A pretensão do
trabalho, uma ediçã0 conjunta de A TARDE e do
Capítulo Bahia da Associação Brasileira
de Agências de Propaganda, é alcançada.
O que não está claro não é de
responsabilidade do autor, que de antemão tinha um
rumo traçado e com o final delineado. A importância
do livro, além do valor como uma referência para
outros estudos, é a revelação de um caminho
que tem de ser percorrido para o resgate da história
da tevê na Bahia, que, neste mês de novembro,
faz 30 anos.
O trabalho de Sérgio
Mattos é um ponto de partida, sem a necessidade da
realização de um mergulho no passado. A política
de concessões de canais de rádio e televisão
no governo Sarney tem uma referência que a torna bem
próxima da última eleição para
o governo do estado. Ou o resultado da troca na Bahia da emissora
que reproduzia a programação da Rede Globo.
Fatos recentes, como a televisão.
Washington de Souza
Filho, jornalista e professor da Facom-UFBa.
Em artigo intitulado "TV é o maior exemplo da
indústria cultural",
publicado em A TARDE cultural, no dia 10 de novembro de 1990.
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