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A TELEVISÃO
NO BRASIL
A televisão no Brasil:
50 anos de história
Não apenas para registrar o 50º
aniversário da televisão brasileira e participar
das comemorações, mas também para enriquecer
a biblkiografia sobre o assunto, chega às livrarias
A Televisão no Brasil: 50 Anos de História (1950-2000),
livro de Sérgio Mattos, pela Editora PAS Edições
Ianamá. Meio século , portanto, é resgatado,
tanto na sua história quanto no que tange às
influências socioculturais e políticas que estiveram
de uma forma mais impactante ou menos violentamente ligadas
ao desenrolar do desenvolvimento deste veiculo de comunicação
de maior poder sobre a massa.
Os estudos sobre comunicação
baseiam-se em teorias que explicam tal desenvolvimento dos
sistemas orientados por algum caminho, como o dos pensamentos
de Karl Marx, ou o de Max Weber, e, mais recentemente, o das
teorias da globalização. Sérgio Mattos
adentra o estudo desses temas para discutir, inclusive, o
imperialismo na mídia, a homogeinização
cultural e, enfim, o que disto resulta: a dependência
cultural e dos veículos de comunicação.
Mais interessante fica o texto do livro
quando, levantados os valores dos fatores internacionais e
dos nacionais que exerceram e quem exercem influências
sobre a cultura e sobre o desenvolvimento dos veículos
de massa, o autor chega ao caso do Brasil, para definir as
condições internas como aquelas que têm
exercido maior influência sobre os meios de comunicação.
Nesta linha, torna-se evidente que principalmente a televisão
se desenvolveu em dependência direta ao desenvolvimento
do próprio País, haja vista, por exemplo , a
ditadura pós-64.
O caso da televisão brasileira
é interessantíssimo: Mattos mostra como ela
foi produzindo cada vez mais localmente e relegando até
os filmes estrangeiros, sempre valorizando, nos horários
nobres, suas próprias produções, as quais
chegam a ser exportadas. Ao colocar os estudos sobre a globalização,
o autor acentua pontos de vista mais recentes para aplicá-los
ao caso brasileiro, muitas vezes discordando de tais teorias
e oferecendo conclusões mais acertadas.
Como o livro não fica em avaliações
superficiais, mas, ao contrario, aprofunda-se no estudo dos
fenômenos, o autor explica a teoria do ciclo de vida
do produto de massa e questiona as generalizações
de varias conclusões de outros estudos sobre os relacionamentos
e o desenvolvimento da comunicação, seja através
dos veículos, seja através da industria da publicidade.
Todos os levantamentos e detalhes sobre os fatores internos
e externos que tiveram participação no processo
de desenvolvimento da nossa televisão são, para
um leitor comum, curiosos. Porém, o livro visa ao estudioso
de comunicação, e para este, seguramente, ele
trata de aprofundar as análises, desde o impacto socioeconômico
e político na história da TV e suas fases, até
a importância da publicidade, a descrição
e classificação do conhecimento existente, incluindo
uma cronologia da televisão brasileira de 1950 a 2000.
Atual, tanto na visão profissional
quanto na prática do jornalismo, Sérgio Mattos,
vencedor do prêmio Luiz Beltrão de Ciência
da Comunicação, na categoria Maturidade Acadêmica,
é editor dos suplementos Municípios e Rural
, de A TARDE, e diretor de redação da revista
Neon, dedicada às artes, à cultura e ao entretenimento.
Afora o exercício do jornalismo, Mattos é diretor
do Campus I da Unibahia e coordena os cursos de Jornalismo
e Relações Publicas. É um profissional
abalizado para expor seus conhecimentos neste A Televisão
no Brasil.
Gerana Damulakis
(Publicado em A TARDE, 29 de janeiro de 2001, Caderno 2, p.5)
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