LIVRO CONTA HISTÓRIA DOS
50 ANOS DA TELEVISÃO
A televisão no Brasil: 50 anos de história

O escritor e jornalista Sérgio Mattos procura, na publicação, contextualizar a TV brasileira, inserindo-a no cenário de transformações econômicas, sociais e políticas do País.

A trajetória da televisão brasileira a partir das influências socioculturais e políticas que interferiram em seu desenvolvimento é resgatada pelo jornalista e escritor Sérgio Mattos no livro “A Televisão no Brasil: 50 Anos de História(1950-2000)”, publicado pela editora Ianamá. O lançamento acontece no contexto das comemorações do meio século de existência da televisão no Brasil, completado em 2000.

Cerca de quatro ou cinco livros sobre o tema foram lançados recentemente, mas, segundo Sérgio Mattos, nenhum contextualizou a história da TV brasileira dentro de um quadro sócio-político e cultural como o seu, limitando-se a “recortes” e assuntos esparsos. “Não se pode dizer que a televisão surgiu do nada, ela é dependente de vários fatores que determinaram seu desenvolvimento”, diz Mattos.

O livro é estruturado em cima de estudos sólidos desenvolvidos pelo jornalista ao longo de sua carreira a respeito da televisão, tema este que originou outros publicações de sua autoria sob diversos enfoques, como “Um Perfil da TV Brasileira: 40 Anos de História(1990), “A Televisão e As Políticas Regionais de Comunicação”(1997), “Televisão e Cultura no Brasil e na Alemanha(1997) e “A Televisão na Era da Globalização”(1999).

No novo volume o autor aborda aspectos como “industrialização e Televisão”, “Objetivos do regime militar através dos meios de comunicação, “O modelo de desenvolvimento econômico, “Origens e desenvolvimento econômico”, “Origens e desenvolvimento histórico da televisão brasileira” e !Descrição e classificação do conhecimento existente”. No final, faz uma cronologia da televisão brasileira nestes 50 anos dividida em duas partes. Na primeira, apresenta uma breve história da evolução técnica da televisão no mundo. Na Segunda, apresenta uma cronologia, ano a ano, dos principais fatos que marcaram a TV no Brasil.

Na avaliação de Sérgio Mattos,, o governo brasileiro desempenhou o papel mais eficaz nos rumos assumidos pela televisão no país. Um exemplo concreto que ele fornece neste sentido é o das conseqüências advindas da implantação do Plano real a partir, principalmente , de 1994, quando as camadas mais desfavorecidas da população, respaldadas pelo aumento do poder aquisitivo, começaram a Ter acesso à televisão.

Foram cerca de 60 milhões de telespectadores novos. “Com a audiência de baixo nível vieram os Ratinhos da vida e, a partir de 95, veio a TV a cabo e por assinatura fazendo com que as classes A e B fugissem da TV aberta”, diz Mattos.

No rastro dos reflexos governamentais no desenvolvimento da TV o autor resgata desde o governo Getúlio Vargas, sob cuja vigência ocorreu o crescimento industrial que deu origem à televisão brasileira, e passa pelo regime militar , de 1964 a 1986, cuja influência direta permanece até hoje. “analiso as partes boas e ruins, fazendo uma análise tanto crítica como positivista e mostrando que as duas teorias confirmam as coisas existentes no país”, diz o autor.

Trabalhando com projeções sobre os possíveis rumos que a TV brasileira tomará, a partir de comparações com o histórico de outros países, Sérgio Mattos acredita que a tendência é que as classes altas se estabeleçam nos sistemas de TV a cabo, por assinatura e “pay-per-view”, enquanto na TV aberta deverá ocorrer uma equiparação na qualidade da programação e redução progressiva da audiência da Globo. O poderio desta rede, no entanto, não será afetado. “Vai permanecer como tal porque se estruturou para isso e hoje é um “holding que compreende produção de filmes, vídeos, discos e vários outros ramos”, projeta Mattos.

Cearense de nascimento, Sérgio Augusto Soares Mattos é diplomado em jornalismo pela UFBA e pós-graduado em comunicação, com mestrado e doutorado pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Professor aposentado da Faculdade de Comunicação da UFBA, dirige atualmente o Campus I da UNIBAHIA. É também poeta e compositor ,com vários livros editados e dezenas de composições gravadas.


Eduardo Bastos, de Salvador
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