VIAGEM AO CENTRO DA TELA
A televisão no Brasil: 50 anos de história

Com um propósito completamente diferente, outro livro em processo de lançamento conta a história dos 50 anos da tevê brasileira, enfatizando os aspectos históricos, sociais, políticos e econômicos deste que se transformou no principal meio de comunicação do país. De autoria do professor e jornalista Sérgio Mattos, “A Televisão no Brasil: 50 Anos de História(1950-2000)” (Editora PAS e Edições Ianamá) colabora para cobrir uma lacuna que ainda estava aberta nesse aniversário. Professor aposentado da UFBA e atual coordenador dos cursos de comunicação da Polifucs e da Unibahia, Mattos resolveu ampliar e revisar o seu livro “Um Perfil da TV Brasileira-40 anos de história: 1950-1990”, lançado há dez anos.

Uma das partes que sofreram a ampliação trata sobre as fases do desenvolvimento da tevê no Brasil. As fases elitista(1950-1964), populista(1964-1975), do desenvolvimento tecnológico(1975-1985), da transição e da expansão internacional(1985-1990) receberam mais dois itens: a fase da globalização e da tevê paga(1990-2000) e a fase da convergência e da qualidade digital, que teria iniciado no ano passado.

O novo livro de Mattos também conta com uma revisão bibliográfica dos principais estudos sobre a televisão realizados no Brasil, especialmente os assinados por pesquisadores brasileiros. A obra encerra-se com maios de 60 páginas de uma cronologia da tevê no Brasil – com, atualmente, 286 emissoras geradoras e 8.484 retransmissoras em funcionamento.

Embora a obra tenha como público-alvo os estudantes de comunicação, que na Bahia aumentam em número significativo com a proliferação das faculdades no estado, o livro também deverá interessar aos telespectadores em geral. O autor utiliza uma linguagem simples e é fácil perceber o cunho didático da obra. Algumas questões complexas são resolvidas de modo a facilitar a vida do leitor(e do escritor também), com a divisão de categorias pelos extremosa.

Um exemplo: Mattos informa que “entre aqueles que têm estudado a publicidade, podemos identificar, pelo menos, dois grupos antagônicos”: o composto por profissionais que adotam uma postura positiva frente a publicidade, acreditando que ela colabora com o desenvolvimento da sociedade, e o grupo dos acadêmicos, que adota uma postura crítica. Os trabalhos que permanecem entre estes dois extremos não são detalhados pelo autor. Mas isso, talvez, seja assunto para um próximo livro.


Leandro Colling
(In Correio da Bahia, 02 de fevereiro de 2001, suplemento Folha da Bahia, p.5)