Nas Teias do Mundo
Walter Siqueira

Os Drs. Aloisio Gomes de Souza e Ruy Alves( este presidente do Conselho de Cultura de São João da Barra) distinguiram-me com um exemplar do livro Nas Teias do Mundo, de autoria de Sérgio Mattos, no qual encontro um rosário de poemas de curta-metragem, sem os comprometimentos tradicionais do verso clássico.

O poeta Sérgio Mattos vale-se de uma linguagem que não agride nem conflita. É uma linguagem coloquial, intimista, em que as metáforas e os símbolos acontecem talvez por acaso, talvez pela necessidade de traduzir estados de espírito que a palavra em si é impotente para dizer.

Aponto-lhe outro mérito: não existe em seu vocabulário ( o conjunto das palavras em cada minipoema ou as palavras de todos os poemas) e obsoletismo crônico daqueles que aprenderam a versejar em tratados de versificação, utilizando uma técnica e não um sentimento ou uma filosofia.

Observe, por outro lado, que Sérgio Mattos tem pontos de vista muito pessoais sobre a problemática da vida e do mundo. Percebe-se que por vezes ele se perde num labirinto de concepções e aí, então, sua poesia quase se torna hermética, diante da dificuldade de traduzir o incognocível.

Quase hermética eis o que é. Não hermética, a que seria o total obscurantismo. O poeta não tem o compromisso da clareza da expressão – tem o compromisso da verdade dos sentimentos. A razão, sob o ângulo ontológico, soma razões que fazem a beleza de seus poemas, uma beleza a ser examinada e não superficialmente apreciada.

Não é um poeta difícil. É um poeta moderno e atual. Coloca-se diante do Mundo com uma impertinente postura interrogativa. Pergunta ao Mundo o que lhe parece dúvida e responde, como entende, nos seus versos. Um poeta tendendo a filósofo, sem ser puramente um filósofo.

Não aconselho o seu livro Nas Teias do Mundo a quem deseja um manual de lirismo para as horas de insônia ou de paixões íntimas. É um livro sério, para ser a sério, em horas sérias, com um precioso conteúdo para ser vivido e sentido com inteligência. Apesar de tudo isso, Sérgio Mattos é um poeta com viagem de volta à infância, explodindo em recordações que se estereotiparam em sua sensibilidade aguda.

Nesses momentos, Sérgio Mattos se trai, deixando de ser o homem adulto, de testa franzida para ser o homem-criança, de sorriso franco, ou e tristezas à flor da pele.

Eis um poeta que sabe dar com requintes líricos o seu recado poético. Nas Teias do Mundo é um livro-marco, ficará, merece crítica otimista, consagra o autor. Que outros venham, assim, para que o nome de Sérgio Mattos salte as velhas amuradas de Salvador da Bahia para ecoar no ruído poluidor das grandes metrópoles. Saúdo-o como um lídimo intérprete da Poesia Brasileira, em fase de ascensão estética.



Walter Siqueira, membro do conselho
de cultura de São João da Barra.
Artigo publicado no jornal "Folha do Comércio",
de Campos-RJ, no dia 11 de agosto de 1974.