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Nas
Teias do Mundo
Raul Sá
Acompanho a vida intelectual
de Sérgio Mattos, posso dizer, desde o seu alvorecer.
Encontrei-o, pela primeira vez, em sala de aula, na Faculdade,
como aluno de boas qualidades. Logo após, ainda aluno,
passei a reconhecer o poeta e realizador, através da
revista "Experimental", de que era um dos responsáveis
e bom colaborador.
Daí e por essas
"Teias do Mundo", nos identificamos, apesar da enorme
diferença de idades e, hoje, com satisfação,
repito o que já disse em outras ocasiões.
Foi novidade no tempo
de Quintiliano e, hoje, realidade permanente, que "os
poetas nascem". E Sérgio Mattos nasceu poeta,
cresceu poeta e se realizou poeta.
Seus trinta e cinco poemas reunidos nos oferecem três
produções já publicadas em Experimental-1;
quatro, em Experimental-2; três em Experimental-3; e
vinte e cinco trabalhos ainda inéditos.
Sentimos, na primeira
fase de sua poética, a ingenuidade do jovem que procura
libertar-se da adolescência, transmitindo mensagem de
fé, de confiança e esperança. Em sua
alma cearense retratou-se a beleza do sertão brasileiro,
mesmo nas épocas de mais severa adustão. E os
versos de Sérgio Mattos, nesse fase transmitem, em
linguagem parcimoniosa, o seu encanto da vida.
Firmando-se mais em sua
técnica, passa um segundo estágio de poesia,
ligeiramente mais hermético em que os problemas da
vida e dos viventes da vida e dos viventes lhe são
constantes preocupações.
Em sua terceira parte
da caminhada, consegue aliar o ingênuo e o sofredor,
o extasiado admirador da vida e o preocupado componente de
grupo que, dia a dia, sofre e se angustia, por não
poder atingir o ideal de toda a Humanidade: Harmonia e Paz.
Em qualquer das fases,
porém, de sua arte, Sérgio Mattos é acima
de tudo, sincero, autêntico, idealista.
Não é o
poeta torturado pela beleza (irmã gêmea da verdade,
segundo o primeiro príncipe dos poetas brasileiros)
da forma, com os esplendores parnasianos; não é,
também, o destruidor da estética anterior, como
os componentes da chamada "geração de 22";
mas é o artífice cônscio de sua: criar
um ritmo novo para expressar a angustia permanente da Humanidade
sofredora.
Raul
Sá é professor de Português e de Literatura
Brasileira.
Artigo publicado no jornal A TARDE, no dia 18 de junho de
1974.
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