Nas Teias do Mundo
Antônio Luoreiro de Souza

Não é de hoje que conheço Sérgio Mattos, que vem de lançar, com êxito, "Nas Teias do Mundo", enfeixando um punhado de versos luminosos. Meu aluno na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, foi dos mais aplicados. Ainda estudante, poetava. Agora, já formado, lança o seu livro, que vem se constituindo em sucesso de livraria. Porque os versos de Sérgio Mattos refletem o seu permanente estado dalma, inquieta, cheia de arroubos pela vida. Ele não vê o mundo pelas teias amargas, não; antes, olha-o cheio de fé e confiança, onde deseja pairem, sempre, o amor e a ternura, livres e belos. Querem ver?

"E na névoa da madrugada,
os pensamentos revoltados
são sepultados
num orvalho de prata
pelo poeta que palpita
em busca da liberdade..."

Liberdade de voar, de crescer, de subir, harto de esperança e glória...Às vezes se torna melancólico. Só isto. Jamais lúgubre:

"Era uma tarde chuvosa
e na vidraça molhada
escrevi um poema..."

Lembra um "hái-Kai". Breve. Preciso, forte, debuxando, em poucas palavras, um quadro vivo, palpitante. É assim toda a poesia desse jovem aedo, que há de certamente, prosseguir na sua andada, sempre inspirado.


Antônio Loureiro de Souza é Escritor, professor e membro da Academia de Letras da Bahia. Artigo publicado em A TARDE, dia 23 de novembro de 1973,
sob o titulo de "Poetas..."