Estandarte
Junot Silveira

Sérgio Mattos, colega do jornal e cheio de vivacidade, é um poeta diferente de M. Ribeiro Costa. Não que lhe falte a virtude de também ser estimativo e inspirado, porém um vulto que não vive envolvendo ou envolvido em sonhos, em ilusão, em uma quimera. Jornalista, tem o temperamento diferente, marcha por caminhos diversos, tem inspiração que varia de apenas uma quadra em uma página inteira, até numerosos poemas sobre o mundo moderno e variando de gosto e de estilo, escritos diferentemente.

Vale a pena ler o seu livro Estandarte, porque na verdade é com o que parece. Parece algo a bailar sobre a cabeça dos leitores, não como bandeira cívica ou de bloco carnavalesco, porém como uma faixa prática, uma faixa literária contendo versos geralmente breves, datados de épocas diferentes, de períodos os mais diversos de tempos os mais distintos. Seguem-se, porém, as de hoje, o exemplo de ontem, as de agora ou de há vários anos, sendo todas modernas as suas poesias. Sempre novas as do presente e as do passado, as que mostram rimas e as que correm livremente. Reunindo tantas quadras, uma em cada página e outras em poemas relativamente extensos, obtém mais um êxito em sua vida cultural e na sua atitude de editoração, pois consegue elaborar, com atenção e intenção, um livro volumoso, quando na verdade ultimamente as pessoas mostram-se escassas, os versos não mais se põem e expõem com grande interesse à vista dos leitores e ao conhecimento do público.

E o que Sérgio Mattos busca, com os seus poemas, é o interesse geral, expondo apresentá-los num verdadeiro estandarte.

 


Junot Silveira, professor, jornalista, cronista
e editor geral de A TARDE dominical.
Artigo publicado em A TARDE de 17 de setembro de 1995.