Estandarte
Hélio Pólvora

Ilhéus – A realidade do mundo de hoje supera a ficção. Não há fantasia, por mais extremada, que se compare à seqüência assustadora e cotidiana de atos contra o indivíduo, contra a honra e a dignidade.

É natural que, num mundo como esse, marcado pela violência e desespero, sinta-se cada vez mais a falta da poesia. Somente a poesia acalma as dores, amadurece as consciências e nos faz reunir novas forças para a resistência.

Hoje, 14 de março, Dia da Poesia, homenageamos Castro Alves, que estaria completando 151 anos de nascimento. Foi ele o cantor da liberdade sob todas as suas formas, um espírito avançado para a sua época, porque se antecipou ao movimento de liberação das mulheres e ao despertar dos acorrentados para o acesso aos direitos humanos.

Poesia, pelo que se vê, não é apenas sonho. É esperança de qualidade de vida, é fé no dia de amanhã.

E neste dia dedicado à poesia temos o prazer de acolher em Ilhéus uma das mais inspiradas e puras vozes líricas da nossa geração: o poeta Sérgio Mattos.
O êxito crescente dos livros de Sérgio deve-se à sua capacidade encantatória de nos tirar da realidade brutal para nos conduzir ao patamar superior da razão embalada pelo sonho lúcido.

Romântico sem ser piegas, desfraldando emoções e sentimentos espontâneos, de afeto e comunhão, Sérgio Mattos é um poeta necessário, é um poeta da hora presente. Ele irá desdobrar agora, para os seus admiradores de Ilhéus e da região cacaueiro, um Estandarte de amor e lirismo que brotam do coração.

Palavras Proferias pelo escritor Hélio Pólvora, no Dia Nacional da Poesia, 14 de março de 1998, em Ilhéus. Quando do lançamento do livro de poemas "Estandarte", de Sérgio Mattos.



Hélio Pólvora é Escritor, presidente da Fundação Cultural de Ilhéus e
membro da Academia de Letras da Bahia.
Artigo publicado em A TARDE, no dia 17 de março de 1998.