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Estandarte
Benjamin Batista
Feira de Santana- Recentemente
vivemos uma noite especial no CUCA Centro Universitário
de Cultura e arte, antigo prédio da Escola Normal,
reformado pelo governo estadual e entregue à comunidade
há pouco tempo e que vive cheio de eventos, quebrando
a rotina da Cidade Princesa. Em promoção conjunta
da Academia de Letras, Fundação Cultural de
Feira de Santana e do Sindicato dos Jornalistas, e do próprio
CUCA, lançamos o livro de poemas "Estandarte",
de autoria do poeta e jornalista Sérgio Mattos, edição
de Gumercindo Rocha Dórea (GRD), cujo nome faz meu
pensamento voar aos tempos de adolescência, pois, meu
pai, Benjamin Macedo, discípulo de Plínio Salgado,
recebia o jornal "A Marcha", editado, também,
pelo idealista GRD, que tanto tem contribuído para
divulgar a inteligência aqui e alhures.
No pavilhão Simões Filho
os móveis que pertenceram ao criador de A TARDE ajudavam
na complementação do cenário, ampliando-se
mais ainda com a exposição de quadros de dois
jovens artistas ali radicados, sendo um deles originário
de Lagarto (SE), primo do professor Josué Mello, dinâmico
diretor daquele espaço e ex-reitor da UEFS, noite de
luzes e do casamento salutar entre as belas artes e as belas
letras.
Em certo momento do meu discurso, afirmei
que Sérgio, se quisesse, poderia candidatar-se à
Academia de Letras da Bahia pela obra valiosa e vasta que
conta nos seus 30 anos de literatura. Antes da abertura do
lançamento, junto com o confrade Antônio José
Larangeira (em verdade o grande mentor daquela festa literária
de encontros e reencontros), toquei no assunto do seu eventual
ingresso ao sodalício baiano, ele riu e disse ser ainda
muito jovem. Não custa lembrar que o maior poeta do
mundo (Castro Alves) e nisso eu sei que o estudiosos
Norlândio Meireles concorda comigo morreu com
24 anos de idade. Poeta, nasce sendo; é coisa traçada
em outro plano. Eu sempre digo que os políticos
certos ou errados têm o condão de tomar
decisões, mas só os santos sabem tudo, e, neste
mundo, apenas os poetas têm razão.
Foi o que aconteceu naquela noite de 19
de outubro na Feira de SantAna de tantos talentos. Todos
falamos: Josué Mello, deputados José Ronaldo
e Tarcísio Pimenta, prefeito José Raimundo vereador
Celso Pereira, professor Antônio Barreto, acadêmicos
Raimundo Lopes e Franklin Machado e eu, mas o poeta homenageado
(que insistia, no autógrafo, dizendo ser apenas um
aprendiz de poeta) é quem estava com a razão,
não em dizer que era aprendiz, mas em semear poesia
nestes nosso tempos temerários, rompendo barreiras,
reunindo pessoas à festa do espírito, "mandando
o povo pensar", como também fazia e ainda faz
o menino de Curralinho.
Talvez sem o autor de "Estandarte"
notar, o poema da página 142, "Correlação",
saía do livro e ia virar moldura na parede do coração
dos presentes ou completar a exposição dos outros
artistas, um quadro à parte: "Nasci no adiamento
contraditório do calendário sem qualquer repertório:
sou teatro, espetáculo e platéia. Represento
muitos atos com fatos correlatos que guardo, retardo e reparto".
Entendo que repartir poesia é repartir
o pão espiritual. Por isso, nós que nos "tornamos
agentes culturais no interior da Bahia, tirando leite das
pedras, ajudando a descentralizar a educação
e cultura agradecemos a gentileza do inteligente jornalista
e do sensível poeta que vai aos municípios levado
pelas mãos dos amigos e admiradores, jogar as sementes
da informação e da literatura, prestando, por
analogia, relevantes serviços, promovendo o convívio
e deixando exemplos para serem seguidos.
O "Estandarte" está indo
para o interior. Divulguemo-lo cada vez mais, pois lançar
livros é uma festa. Como garrafas ao mar, aqui ou ali,
uma hora, um dia, serão lidos. E o pensamento transcendente.
Terá valido à pena escrever...
Benjamin Batista é Advogado, Escritor e presidente
da
Academia de Letras e Artes de Feira de Santana.
Artigo intitulado "Estandarte na Feira",
publicado em A TARDE, dia 31 de outubro de 1995.
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