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O Controle dos
Meios de Comunicação
Jorge Calmon
"A circulação diária
de jornais no Brasil deu um verdadeiro salto em 1994, chegando,
segundo cálculos do Comitê de Leitura e Circulação
da ANJ, a 5,9 milhões de exemplares, o que significa
38,2 exemplares por mil habitantes. Este crescimento, entretanto,
sofrerá quedas no período entre 1995 a 1997,
devido à crise mundial na produção de
papel jornal, o que forçou os veículos a limitar
suas edições. Em 1994, o Brasil com sumiu 534
mil toneladas de papel jornal, sendo que 315.000 toneladas
foram importadas.(...)Para 1996, estima-se que o Brasil se
tornará ainda mais dependente das importações,
uma vez que a produção nacional não irá
aumentar".
Estas informações e observações
são do jornalista Sérgio Mattos no livro O
Controle dos Meios de Comunicação, que será
lançado na próxima Quinta-feira, dia 23, na
Livraria da Empresa Gráfica da Bahia (Largo do Pelourinho,
12). Com início às 18 horas.
O autor aborda principalmente dois largos temas: os instrumentos
de controle dos meios de comunicação, em outro
capítulo, o desenvolvimento que esses meios vêm
tendo.
Com relação aos instrumentos
de controle econômico ou, mais propriamente, influenciação,
ele examina o papel que exercem, ou podem exercer, os agentes
econômicos, ou seja grandes anunciantes ou instituições
financeiras; e no tocante aos instrumentos políticos,
analisa as formas pelas quais se pode fazer sentir a pressão
dos governos.
Um demorado capítulo é dedicado à censura,
vista inicialmente sob a perspectiva histórica e em
seguida comentada tal como, em várias épocas,
funcionou no Brasil, como o expediente predileto da ditadura
para anestesiar a opinião popular.
Entre suas conclusões, Sérgio
Mattos afirma que "as evidências apresentadas neste
trabalho nos levam a concluir que, no Brasil, não apenas
os objetivos econômicos, mas também considerações
e as práticas políticas do Estado têm
exercido, ao longo de nossa história, uma função
dominantes no desenvolvimento dos meios de comunicação
de massa e da indústria publicitária, bem como
na seleção e tratamento dos conteúdos
que veiculam".
O livro é produto de uma reflexão
séria e competente, que coloca em discussão
muitas questões, num debate que comporta divergência
de pontos de vista.
Poucos, em nosso círculo de comunicadores,
possuem autoridade ao nível da de Sérgio Mattos
para emitirem conceitos sobre a matéria. Jornalista
militante, professor do curso de Jornalismo da Universidade
Federal, com doutorado nos Estados Unidos, autor de diversos
ensaios sobre mass media, especialmente o segmento jornal,
seu acervo de trabalhos lastreia os comentários que
possa fazer em torno do assunto. O livro que agora vem a público
é, realmente, uma contribuição valiosa.
Aqueles que estejam em condições
de acompanhar os procedimentos internos nos veículos
de comunicação, notadamente os de maior respeitabilidade,
certamente entenderão as considerações
de Sérgio Mattos nos termos em que ele as quis formular,
isto é, mais como hipóteses do que como denúncia
de casos concretos. Ele expõe os controles que podem
existir, não, precisamente, os que se têm materializado.
A leitura do livro reforça a crença em que mais
do que favorecimento ou amparo econômico ou político,
o que, efetivamente, condiciona a vida de um órgão
de comunicação, e lhe permite alcançar
a longevidade, é o apreço do público
pelo seu desempenho, que há de ser leal à vontade
e voltado para o interesse coletivo. Nesta simples combinação
está a fórmula geradora do oxigênio de
que a imprensa precisa para manter a vitalidade.
Jorge Calmon é
Jornalista, Escritor, Professor,
Historiador e membro da Academia de Letras da Bahia.
Artigo publicado em A TARDE sob o titulo de "Hipóteses
sobre controle dos meios de comunicação",
no dia 20 de maio de 1996.
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