O Controle dos Meios de Comunicação
Jolivaldo Freitas

Professor, jornalista, escritor, cronista, poeta, editor e mais uma penca de atividades do tipo dar consultoria, fazer palestras, participar de ações visando o fortalecimento do segmento literário, como Instituto Baiano do Livro. Não sei como Sérgio Mattos consegue transformar as 24h, do dia em 48. Uma mágica que somente ele, H.G. Wells, Merlin e Einstein podem ter acesso acesso e conhecimento.

Sérgio vem de comemorar algumas dezenas de anos como poeta fecundo. Sua obra elogiada (ele me diz que tem algumas pessoas que a criticam e eu duvido, acho que é uma atitude cavalheiresca de autor), mereceu palavras das mais expressivas línguas da nossa cultura.

E agora o professor deu lugar ao poeta. O doutor em Comunicação deu vazão ao pesquisador que tanto tempo passou nos Estados Unidos, se aprimorando e ficando cada melhor. Ontem à noite Sérgio Mattos lançou o seu mais novo livro. Fico pensando como que ele ainda acha tempo para pesquisar, se debruçar em jornais e documentos, entrevistar gente e escrever. Fazer um trabalho que somente tem a acrescentar na área de Comunicação. Uma área que sempre foi coalhada de grandes nomes, seja no jornalismo com Alberto Dines ou Juarez Bahia; na Propaganda com Roger Mulecchi ou Leduc e na TV com Doc Comparato, principalmente.

Sérgio Mattos um bocado de tempo atrás já tinha se inserido no processo de pesquisa da comunicação, o que lhe rendeu uma excelente obra, destas que são necessárias na biblioteca dos profissionais de comunicação, e que se chamava: Um Perfil da TV Brasileira. Acho que lançado pela Associação Brasileira de Propaganda. Um livro raro muito bem estruturado e que sintetiza o meio.

Agora ele está lançando O controle dos Meios de Comunicação. Um trabalho bem cuidado pela EDUFBA, que mostra estar evoluindo no conceito gráfico/ e estético / criação e arte de editoração.

E ele, neste momento em que alguns setores conservadores querem limitar a ação da imprensa, através de uma nova lei redutora das suas atribuições e direitos, faz a abordagem histórica - permanente daquilo que desde o final de década de 70 se convencionou chamar de mídia (um termo oriundo dos publicitários).

Sérgio começa por onde devia mesmo começar que é lembrando o primeiro jornal brasileiro, o Correio Brasiliense, que justamente por sofrer uma grande censura do poder central, era editado e impresso na Inglaterra. A partir daí ele desfia todo o trabalho de pesquisa, que resultou numa obra que é preciso ler com atenção e aprender. Cada página é uma verdade. Tanto que começar a ler é ficar numa cadena. Não há como fazer zap. Não dá para trocar de canal.


Jolivaldo Freitas, jornalista, poeta, contista e cronista.
Artigo publicado na Tribuna da Bahia, de 24 de maio
de 1996, sob o título de "O Zap de Sérgio Mattos".