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O
Controle dos Meios de Comunicação
Denise Oliveira
A relação
entre comunicação e poder é um tema que
desde a década de 70 vem preocupando pesquisadores
brasileiros. Se hoje a censura não existe oficialmente,
outras formas de exercício de poder sobre os meios
de comunicação foram mantidas. O Controle
dos meios de comunicação, novo livro do
jornalista e professor Sérgio Augusto Soares Mattos,
recém-publicado pela Editora da Universidade Federal
da Bahia, traça um panorama atualizado sobre o que
vem ocorrendo no Brasil em termos de domínio dos meios.
Sérgio Mattos começa
o livro defendendo a liberdade de expressão e a necessidade
de reformulação da Lei de Imprensa datada
de 1967. Na introdução, o autor explica que
seu objetivo com o livro "é discutir os principais
meios através dos quais o Estado tem historicamente
influenciado e controlado os veículos de comunicação".
O período que o autor optou por analisar foram os últimos
30 anos.
O Estado sempre exerceu
um papel ativo no desenvolvimento e regulamentação
dos meios de comunicação de massa brasileiros.
Mas, a partir da década de 70, segundo Mattos, "enquanto
a produção dos veículos de massa permanece
como uma responsabilidade das empresas privadas, o Estado
assumiu a responsabilidade de estabelecer a infra-estrutura
necessária para prover o país com um sistema
nacional de telecomunicações". Além
do controle técnico de 1968 até 1979, os veículos
de comunicação emissoras de rádio
e televisão, jornais e revistas funcionaram
sob a censura e as imposições do AI-5.
Outro elemento que nesses
anos marcou o controle dos governos sobre os meios de comunicação
foi a dependência dos veículos de massa de isenções
oferecidas pelo Estado não é preciso
ser jornalista para saber que jornais, rádios e emissoras
de TV vivem de publicidade ou de subsídios e que, via
de regra, a maior parte deles enfrenta dificuldades financeiras.
Conforma o autor, medidas de retaliação política
e econômica acontecem até hoje; no entanto, em
alguns períodos, como durante a ditadura militar, isso
se tornou mais claro. De acordo com Mattos, naquela época
o governo não publicava anúncios oficiais em
jornais que veiculassem matérias de cunho negativo
em relação às políticas estatais.
Aproveitando esse gancho,
Sérgio Mattos traça uma interessante história
da censura. "O ato de censurar é tão antigo
quanto a divulgação de idéias",
escreveu. Mattos trata de como a censura é encarada
em países como a França e os Estados Unidos,
até chegar ao caso brasileiro.
Em seguida, o assunto
tratado é o desenvolvimento dos meios de comunicação
e o apoio que as empresas da área receberam e recebem
do Estado. Mattos escreve sobre os meios impressos e depois
sobre os eletrônicos (rádio e TV). Em suas palavras,
"a televisão brasileira não é apenas
dependente da tecnologia estrangeira e do apoio das verbas
publicitárias, mas é também diretamente
dependente do modelo de desenvolvimento econômico adotado
pelo governo".
Sérgio Mattos é
doutor em Comunicação pela Universidade do Texas,
em Austin , Estados Unidos. É também professor
adjunto da UFBa e editor de suplementos "A Tarde Municípios"
e "A Tarde Rural", do jornal "A Tarde",
de Salvador. O autor tem outros livros publicados nos estados
Unidos e sua obra mais recente, antes de O Controle dos
Meios de Comunicação, foi Censura de
Guerra, de 1991.
Denise Oliveira, jornalista.
Em resenha publicada sob o título de "A Censura
está no ar",
no jornal Tribuna Bis-RJ, no dia 28 de agosto de1996.
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