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Asas
para Amar
Waldir Freitas Oliveira
Em outubro de 1974, há aproximadamente,
20 anos, referir-me em A TARDE, em crônica intitulada
"Dois Sérgios", a Sérgio Mattos e
Sérgio Marques, que haviam publicado, fazia pouco,
seus primeiros livros de poemas Nas Teias do Mundo
e Convívio, respectivamente. Afirmei, então,
que eles estavam a crescer e já começavam a
dar sombra, apesar de estreantes, capazes que se mostravam
de despojar-se das próprias individualidades e tornar-se
parte de um todo mais amplo onde se haviam diluído,
dele emergindo como arautos de milhões de seres que
sofriam por não saber cantar.
Surgiram em um quando uma vaga imensa
e perversa de materialismo pragmático buscava vestir
de aparências concretas o íntimo das coisas,
negando-lhes a essência encantada. Sérgio Mattos,
lançando, agora, seu Asas Para Amar, demonstra haver
conseguido permanecer de pé frente à onda gigante,
continuando capaz de enxergar o invisível e escutar
o silêncio, inconformado com a seqüência
monótona das horas iguais. Dois outros livros de poemas
foram por ele publicados desde aquela época: O Vigia
do Tempo, em 1977, e Lançados ao Mar, em 1985; e, nos
Estados Unidos, em 1980, enquanto ali esteve, preparando o
seu doutorado em Comunicação, na Universidade
do Texas, em Austin, em edição bilingüe
Já Não Canto, Choro(I No Longer Sing,
I Cry), com seus versos traduzidos para o inglês, por
Albert C. Bork.
Desta vez, oferece-nos Sérgio
Mattos, em Asas Para Amar, uma coletânea de 42 poemas,
alguns integrantes de outros livros seus já publicados,
todos artisticamente expostos entremeados e superpostos
em cores diversas, em belo arranjo gráfico da Editora
Marfim. Escritos entre os anos de 1968 e 1994, isto, em verdade,
pouco importa. É que o tempo se anula frente aos passos
e ao sentir dos poetas. Razão pela qual, por sua temática
e beleza de feitura, prosseguem os poemas, plenos de atualidade,
e assim continuarão enquanto existirem pessoas que
se deixam conduzir pelo espaço do amor, sem limites,
nas asas mágicas da poesia.
Waldir Freitas Oliveira
é Professor, Escritor e membro da Academia de Letras
da Bahia.
Artigo publicado em A Tarde Cultural de 22 de abril de 1995.
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