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Asas
para Amar
Marângela Borba Santos
Vitória da Conquista
Asas Para Amar, título sugestivo que substancia-se
em alimento do amor. Quando ação se encarna
no verbo amar na simplicidade, desmaterializando, dessacralizando
o poeta, colocando no etéreo instante da consagração
de momentos. Momentos esses como o "...dia em que colocarei
asas em teu vestido branco e como anjo poderás flutuar
no espaço...sugando das bocas(...) o néctar
que necessitas para alimentar teu amor".
Asas, símbolo do alçar vôo,
do alijamento de um peso, da sutileza de ser e do ser. Asas
de origem platônica que designam o poder da incorruptibilidade.
Asas do poeta, impulso para transcender a condição
humana e beber o néctar da inspiração
e dizer da mulher "musas/mulheres que amam e que se deixaram
amar". Dedicação primeira. Individualizada,
onde múltiplas leitoras e leitores se encontrarão
consagrados, "horas divinizados, horas humanizados pois
o amor pode ser possuído e sentido perla matéria
e pelo espírito transpira, inspira e muitas vezes
até sente dor".
Amor/Amado/Amantes. Tônica incendiante
de múltiplas cores. Se não verde/rosa. Se não
azul/amarelo, para agradar o ser multiforme que se designa,
nas dobradiças da fala do poeta, o ser Mulher.
Sérgio Mattos, poeta alado que
conjugou o verbo amar "sem fúria como quem não
tem pressa..." Erotizando, na sutileza dos versos metáforas
que sugerem mais do que dizem: "Em montes distintos/
uma vontade lubrificante nasceu...O espírito vibrou/
O corpo executou/ E no ventre corpo/ a vida em carícias
flutuou..."
Sutilezas de poeta. No simples, transgredir
o óbvio, e no excesso instalar a falta, o vazio, conseqüência
da intensidade de viver o amor e da consciência do poeta
de sua incapacidade de atingi-lo em sua profundidade.
Propõe o poeta então o "sentir"
que se conjuga com o amar. Amar em todos os sentido, e deixar
na lembrança marcas do amor. Mas que sejam "boas
cicatrizes, porque, como ator e atrizes, teremos que um dia
senti-las com todas as suas matizes".
Sonhastes, Sérgio, um dia ser um
pecador porque amaste Maria, seu sonho, sua fantasia. Marias
do acaso da vida. Mas tuas asas não serão perdidas,
porque é sempre possível recobrá-las
na transfiguração do ser poeta e acreditar que
vale a pena amar.
Marângela Borba
Santos é professora de Letras
na UESB, Campus de Vitória da Conquista.
Artigo publicado em A TARDE, com o títuo de
"Poeta Alado", no dia 9 de junho de 1995
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